sexta-feira, 7 de março de 2014

“O compromisso multiplica por dois as obrigações familiares e todos os compromissos sociais”…

…já dizia Simone de Beauvoir.
E a propósito do dia da mulher que se aproxima, e da entrega de postais sob o tema liberdade da mulher por parte da comissão de trabalhadores, gerou-se uma conversa mais ou menos acesa numa sala onde predomina o sexo feminino. Pois diziam as minhas caras colegas de trabalho, que a mulher de hoje não tem liberdade nenhuma; que são umas escravas do trabalho e da casa; que são elas que tomam todas as decisões pois os maridos são uns totós (sim, foi mesmo totós que lhes chamaram). Eu fiquei atenta a ouvir, sem quase nunca intervir, pois não tenho jeito para intervenções, infelizmente. Mas, se a minha boca conseguisse dizer o que o meu coração sente, diria que não concordo com esta ideia tão desajustada e vincadamente defendida. Sei que exigem muito de nós, é verdade. Mas também sei que cada vez exigimos mais dos homens. Porque eles têm de saber cozinhar; têm de aspirar na perfeição; têm de saber lidar com as crianças; serem bons amantes; serem bons maridos; serem o ombro amigo naqueles dias que estamos em baixo.
Devemos deixá-los respirar assim como nós precisamos de respirar. Devemos respeitar o espaço de cada um. Todos temos obrigações, é certo, e eles devem bem saber quais são as deles. Mas talvez por ter crescido numa família mais tradicional, tenho os papéis de cada um bem estruturados e divididos. Os meus pais entendem-se na perfeição porque cada um tem a sua tarefa.
E quando assim é, as coisas funcionam e têm tudo para dar certo.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Em Março tanto durmo como faço

Diz o ditado que “em Março tanto durmo como faço”.
Quanto a vocês não sei, mas eu vou continuar a tentar fazer fotos giras neste desafio.

Vamos então falar sobre moda, perdão, vamos então falar sobre a vossa moda

Eu sei lá se o casaco beje que tenho no armário pertence à colecção de 2008, 2011 ou 2013? É que não sei mesmo. Gosto da roupa toda que tenho. Acho sempre que tenho pouca. Às vezes acho que nada me fica bem. Agora saber a história toda do armário, isso, é pedir muito.
Gabo as pessoas que colocam fotos do seu look no dia-a-dia e se referem à roupa como: “casaco Massimo Dutti colecção 2013; calças Primark do verão passado; camisola Mango Inverno 2012; mala Bimba e Lola comprada no Outlet numa promoção a 5 de Fevereiro de 2014 pelas 17h30”.
Como é que vocês fazem? Têm etiquetas a identificar o material? Ou os talões de compra no bolso de cada peça? Ou sempre que compram algo novo tiram foto e depois guardam numa pasta do vosso computador dando ao ficheiro o nome de “Calças – Inverno 2013”?
Eu até chego a ficar envergonhada dos meus casacos da colecção 2010. E talvez por isso não me fotografe. O que haveriam vocês de pensar do meu look!

(Já este David Gandy pode usar qualquer colecção que lhe fica sempre tudo bem).



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Projecto Casa is in the house, yo!

Já recebemos finalmente o projecto de estabilidade que tanto aguardávamos, e o meu marido diz que a obra pode arrancar. Agora queremos é que este tempo ajude à missa (gosto desta expressão porque também eu já ajudei na missa) para a obra começar a sério.
Isto trouxe-me outra vez motivação para ver imagens lindas que só elas e que deambulam pela internet à força toda. Tenho para mim (é a primeira vez que digo isto. Já o li tantas vezes em tantos blogues e nunca consegui aplicar, até hoje) que vai ser uma fase bem boa, com tudo o que de mau se quer. O frenesim de ver a casa a crescer vai confundir-se muitas vezes com o nervosismo de não ver a casa a andar para a frente. Mas nós somos pessoas positivas e estamos preparados para o pior. Mas principalmente, para o melhor!
Que recomece o tema “Projecto Casa”!




A simplicidade dos nossos dias pode causar inveja a muita gente

A nossa vida é muito simples e resume-se em meia dúzia de linhas. Mas por ser tão simples e organizada, chega a ser diferente da vida de muitas pessoas. Ou seja, digamos que a nossa é boa.
Isto tudo para dizer, que o nosso dia-a-dia é tão básico quanto isto: acordar por volta das 7h (mas nunca levantar antes das 7h30, dizem que se chama preguiça); abrir todas as janelas da casa para entrar luz (nem digo sol porque esse não aparece há muito); caminhar até à cozinha para preparar o pequeno-almoço; Xixi? Será que ouvi: e o xixi? Claro que faço xixi mal me levanto, sou humana como vocês. Adiante, estávamos na cozinha, certo? Já na cozinha, com a mesa do pequeno-almoço posta na noite anterior (ah pois é!), começo o dia com um copo de água quente e umas gotas de limão (ouvi dizer que fazia bem, e por isso se faz bem eu também quero experimentar. Mesmo o meu marido, que costuma dizer que eu papo os grupos todos, me aconselhou esta rotina matinal). Como a minha taça de cereais com iogurte magro e umas amoras por cima (amoras biológicas que é um termo giro, mas na verdade são selvagens, colhidas pelo meu irmão ao longo dos caminhos de terra da aldeia). Às vezes, só às vezes, ainda descasco um kiwi. Dizem que tem vitamina C e eu também papo este grupo. O meu marido entretanto chega, no meio destes preparos todos, bebe a sua canequinha de leite de soja com café e come o pãozinho com compota de frutos silvestres ou abóbora com noz. Segue-se o banho, roupa, que dá um certo jeito não irmos nus, e saímos. Isto demora-nos cerca de 40 minutos, e é tudo feito sem pressas. Bom, não?
“Mas isso é porque não tens filhos, e bla bla bla, porque se tivesses fazias tudo à pressa e demoravas 2 horas para sair de casa, e trazias uma meia de cada cor...”, dizem vocês. É verdade. Não temos. Por isso não sei como seria. Vamos então concentrar-nos só em nós dois, pode ser? Sobre os acréscimos na família falaremos no futuro.

Este foi um pequeno resumo das nossas manhãs. Quando tiver tempo, falo do chegarmos a casa às 18h30, jantarmos às 20h00, alaparmo-nos no sofá a devorar séries e ainda sobrar tempo para, às 23h, irmos ler para a cama até os olhitos fecharem.
Dizei lá que não é uma vida simples?




(a imagem é tirado do pinterest e acho que poderá dar mais vida aos textos que têm sido algo longos. E uma foto gira fica sempre bem, mesmo não sendo tirada por mim)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

“Your buster” e as nossas férias na praia conduzidos pela 4L

A propósito da recente morte de Harold Ramis, actor no Ghostbusters, lembrei-me da toalha de praia do meu primo Carlos que eu tanto cobicei e, mesmo não sabendo inglês, disse-lhe baixinho: “your buster”!

Todos os verões as nossas férias alternavam entre o ir para a praia com as minhas tias ou o ficar em casa a estudar para o próximo ano lectivo (eu sei que pode parecer demasiado, mas venham dizer isso a uns pais sem carro, da aldeia, com batatas para plantar e com dois filhos pequenos. Ainda mais se a filha, eu, não se calar que quer ir de férias). Achavam eles, e bem, que uma forma de me acalmar seria mandar-me estudar ou meter-me na 4L das irmãs rumo ao mar.

Muitas vezes o sol ainda nem tinha nascido, e nós já tínhamos metido na mala daquele carro azul petróleo comida que dava para um regimento. Uma vez, a minha tia tinha tanto medo de passar nos carris do comboio, que começou a acelerar com medo das cancelas fecharem. Passamos na passagem de nível a 60/hora e nem tão pouco tocamos no chão. Voamos uns metros e aterramos do outro lado, sãos e salvos, a achar que aquilo era bem melhor que um filme e que a tia Lindita era a maior. Agora sei que ela deve ter tremido o dia todo, mas na altura nem notei.

Éramos cinco, o máximo que a 4L levava. Passávamos o dia inteiro na praia. Brincávamos como todas as crianças devem brincar. Comíamos mais do que qualquer criança deve comer. Eramos imensamente felizes. E onde entra o “Caça-Fantasmas”, perguntam vocês? Entra no dia em que o meu primo espeta com uma toalha destes meus heróis na areia. E a minha ficou tão pequenina ao lado da dele. Já velhinha, com umas florzitas vermelhas. Pequenina. A dele dava duas da minha, nova, branca, com o Peter, o Raymond e o Egon a sorrirem para mim, como que a dizer: “your buster, you will never have a beach towel like this”.

Mas eu não sabia inglês, por isso deitei-me nela imensas vezes e imaginei estar nas ruas de Nova Iorque em busca de fantasmas, enquanto o sol torrava a minha pele e se ouvia o mar ao fundo.

A propósito da recente morte de Harold Ramis, actor no Ghostbusters, lembrei-me o quanto éramos crianças por volta de 1986.

Nota: de realçar que Harold Ramis foi também realizador do filme “Groundhog Day” falado no meu post aqui.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Os ovnis, a luz, a noite quente, a minha mãe e eu

Já foi há muito, muito tempo, por isso não consigo dizer se aconteceu no fim da primavera ou a meio do verão. Lembro-me que estava calor e vestia uma blusa cavada amarela com folhos nos ombros. Nos pés, nada. Adorava andar descalça. Tenho o recorte do jornal em casa dos meus pais, na gaveta da cómoda do sótão. Tão bem guardado quanto está esta história.

A mãe chamou-me, da varanda da cozinha. O seu indicador conduziu-me à serra que nos separa da vila onde passa o comboio. Em dias límpidos, ou depois de chuva, costumamos ouvir o som das carruagens. Chamo-lhes dias mágicos.
A luz que sobrevoava as pontas das árvores era intensa e estranha. Subiu, subiu, e continuou a subir até chegar bem alto. Depois parou, como que dizendo adeus, ou até já, ou foi um prazer, e desapareceu, foi-se, já era.
Fiquei com os olhos raiados de interrogações. A minha mãe, mulher céptica, achou a luz estranha. Só isso. Já eu, sonhadora, achei tudo aquilo especial.

No dia seguinte, no Jornal da Uma, percebi que não tínhamos sido as únicas, naquele fim de tarde quente, a ver aquela luz no céu estrelado e límpido.

Guardei na memória aquele momento e na gaveta da cómoda do sótão o recorte do JN. Nunca mais voltei a falar com a minha mãe sobre isto, talvez por medo da descrença dela sobre estes assuntos e que acabaria com esta certeza que tenho de termos visto uma nave espacial, ou especial, sei lá. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Esta história é sobre ovins, mas deixará de o ser caso me provem que eles não existem

Amanhã tenho de apresentar aqui um texto de um momento marcante da minha vida. Vou falar sobre ovnis e sobre aquela noite em que vi a luz no céu. Não me lembro de ver os étês. Isso não cheguei a ver. Vi só a luz. Se eu fosse para a Casa dos Segredos (cruzes credo que nunca iria, nem gosto nada de ver aquilo) mas se fosse, este seria o meu segredo.
Depois conto-vos a história. Primeiro, vou contá-la em voz alta à Dora.