Não sei cozinhar. A sério, não sei mesmo cozinhar. Sei ler receitas e seguir à risca o que dizem os livros da Bimby. Sei colocar o Ipad na mesa da cozinha e ler, passo a passo, para que nada falhe.
No entanto, a cozinha é o meu espaço preferido da casa. Perco-me em imagens de decoração de cozinhas. Sou capaz de ficar horas a ver programas de culinária na televisão. Leio e releio blogues de comida e fico sempre a pensar: como é que elas fazem?
A minha mãe é uma cozinheira extraordinária. Não é mulher de quiches, ou canapés. É mulher de feijoadas, cozidos, cabrito assado. Toda a vida a vi cozinhar, mas nunca tive vontade de participar. Preferia sempre tratar da mesa. Apanhar flores do campo para colocar numa jarra. Fazer guardanapos individualizados na máquina de costura. Limpar os copos até ficarem a brilhar. Alinhar as cadeiras com os pratos. Esperar que os convidados chegassem. Esta parte eu adorava/adoro. Estar à mesa a conversar também gosto muito.
O facto de me meter medo estar na cozinha, faz com que não convide tanto como gostaria de convidar.
Talvez tenha de começar, errar, voltar a fazer. Mas sem nunca desistir. Convidar, experimentar, meter as mãos na massa e deixar que o coração dê tudo aquilo que quer dar e que a alma se acalme no momento de avançar para os tachos.
Tenho a sorte de ter um marido que gosta da cozinha e que muitas e muitas vezes faz deliciosos pratos. Uma jóia de moço, é o que vos digo.
Talvez a solução esteja nisto: ele trata da comida e eu da decoração da mesa!
Olhem que isto de confessarmos o que nos vai na alma ajuda...

































