sexta-feira, 9 de maio de 2014
Tardes de verão
Quando ouço “tardes de verão” sou sempre levada àquelas tardes em que a minha mãe me obrigava quase sempre a dormir a sesta. As tardes em que eu adormecia no divã velho e azul da sala de costura. A porta da sala era aberta para o campo. Portanto, o som dos grilos, o cantar das cigarras, o latido dos cães, a máquina de costura da minha tia Luísa, o apitar do padeiro que entregava sempre pão às 15h, tudo servia para me embalar no sono curto que tirava. Quando acordava, ainda ficava tarde por muito tempo. Ainda dava tempo para lanchar, para fazer cópias e ditados, para chamar a amiga Rosinha das tranças longas e loiras. Eu era a morena, a de cabelo e pele escura. A que inventava jogos e fingia falar outras línguas. Ainda dava para brincarmos às escondidas até a lua nos avisar que era tarde. Até não ouvirmos viva alma nas ruas de terra batida que calcávamos com as sandálias velhas e pés sujos.
Quando ouço “tardes de verão”, lembra-me a melancolia do calor; o perturbador silêncio da tarde; os caminhos desertos da aldeia; as amoras quentes a derreter; a inexistência de ar ou vento; a roupa seca e tesa no estendal; o som apressado dos passos das mulheres a descer a rua em direcção à novena *.
As tardes antes passavam devagar. As tardes agora parecem tão curtas.
* Na fé católica, é um encontro para orações, realizado durante o período de nove dias. Lá na aldeia, e em grande parte das terras que conheço, realiza-se durante todo o mês de Maio, por ser considerado o mês de Maria. Teve a sua origem na Tradição Católica, mas pode ser encontrado noutras tradições ou crenças. Começou entre a Ascensão de Jesus Cristo ao Céu e a descida do Espírito Santo, quando se passaram nove dias (cf. Atos 1,3; 2,1). A Comunidade Cristã teria ficado reunida em torno de Maria, de algumas mulheres e dos Apóstolos por este período. Foi a primeira novena cristã.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Ganhar o concurso é importante, mas não é só isso...
Já ando nisto da blogosfera há muitos anos. Já leio e sigo blogues há mesmo muito tempo, nem me lembro desde quando. Existe um blog, o primeiro de todos, o mais querido de todos, o mais inspirador de todos, que nos faz sempre acreditar que a vida é mesmo boa. Que nos faz seguir sempre os nossos sonhos. Que nos faz sempre sorrir. A Sofia, do “às nove no meu blog”, tem esse poder nas pessoas. Tem a varinha de condão que me toca todos os dias. Que me coloca um brilhozinho nos olhos.
Hoje escrevi-lhe um email. Um email bonito e simples. Mais do que participar no passatempo que ela lançou, queria dizer-lhe o quanto gosto de a ler e o quanto ela me inspira. É incrível como é que nos apegamos a pessoas que nem sequer conhecemos. Só pela sua escrita. Só pelas suas imagens.
Posso não conseguir ganhar o concurso, mas já ganhei a tarde por ter conseguido escrever de uma forma tão pura e honesta o que estava aqui dentro guardado há anos. Obrigada, Sofia!
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| esta imagem linda, linda, também lhe pertence |
Preservo a minha mãe num lugar de seu nome coração e protejo-a das redes sociais que não seguram as nossas quedas
O dia da mãe foi no domingo, mas só hoje falo sobre isso.
O dia de colocar fotos com as mães, fotos de nós dentro das suas barrigas foi no domingo, mas também não teria nenhuma para colocar, pois a primeira foto que tenho minha já teria quase 15 dias de vida.
O dia de agradecer a existência delas, de dizer que elas são o melhor do mundo, de afirmar que sem elas não somos ninguém, foi no domingo, mas eu não disse nem publiquei nada sobre o assunto.
Com isto não quero dizer que não ache a minha mãe o meu pilar. Acho. Mas, assim como uma casa, são precisos alguns pilares para a construir, e por isso é igualmente importante o pai, os irmãos, o marido, a esposa, os filhos e até os amigos. Para que a casa fique segura. Para que seja sólida e forte.
A minha mãe desconhece que por esta internet fora se fala, comenta, felicita, publica, instragrama-se tão vigorosamente este dia. Ainda bem para ela. A sério. Porque acho que as pessoas quase se sentem na obrigação de publicar alguma coisa sobre o tema. De agradecer. De partilhar sentimentos que deveriam ser para a nossa mãe e não para o resto do mundo. A mãe é uma pessoa demasiado importante para ser partilhada.
Apesar de me considerar romântica, algumas vezes lamechas, outras vezes melancólica, o certo é que guardo para mim estes sentimentos de filha.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
:: Projecto casa: o Início ::
Hoje é dia 5 de Maio. Segunda-feira. Estou com uma ligeira enxaqueca que aos poucos está a passar. O céu está encoberto e nada comparável com o do fim-de-semana. Tenho muitos emails para ler e outros tantos para tratar. Tinha tudo para ser mais uma segunda-feira normalíssima. Mas não. Hoje é uma segunda-feira melhor que todas as outras. Porque a nossa casa começará hoje.
O projecto casa que por vezes vou falando aqui e colocando muitas imagens e ideias, será plantado hoje, como uma flor. Depois de muita pesquisa, alguns contratempos, despesas, pausas, semi-arranques, idas à obra sem avanços, eis que recebemos a noticias que esperávamos: as obras reiniciam a 5 de Maio.
Existia muita coisa para contar até agora, pois o processo já vem longo e desde Setembro. Mas deixemos isso para depois e iniciemos assim esta aventura que nos espera. Sabemos que irá exigir muito do nosso tempo. Sabemos que podem aparecer surpresas (boas e más) no percurso. Mas também sabemos que é isto que queremos.
Como dizia Sir Edward Coke "A casa de um homem é o seu castelo”.
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