segunda-feira, 12 de maio de 2014
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Tardes de verão
Quando ouço “tardes de verão” sou sempre levada àquelas tardes em que a minha mãe me obrigava quase sempre a dormir a sesta. As tardes em que eu adormecia no divã velho e azul da sala de costura. A porta da sala era aberta para o campo. Portanto, o som dos grilos, o cantar das cigarras, o latido dos cães, a máquina de costura da minha tia Luísa, o apitar do padeiro que entregava sempre pão às 15h, tudo servia para me embalar no sono curto que tirava. Quando acordava, ainda ficava tarde por muito tempo. Ainda dava tempo para lanchar, para fazer cópias e ditados, para chamar a amiga Rosinha das tranças longas e loiras. Eu era a morena, a de cabelo e pele escura. A que inventava jogos e fingia falar outras línguas. Ainda dava para brincarmos às escondidas até a lua nos avisar que era tarde. Até não ouvirmos viva alma nas ruas de terra batida que calcávamos com as sandálias velhas e pés sujos.
Quando ouço “tardes de verão”, lembra-me a melancolia do calor; o perturbador silêncio da tarde; os caminhos desertos da aldeia; as amoras quentes a derreter; a inexistência de ar ou vento; a roupa seca e tesa no estendal; o som apressado dos passos das mulheres a descer a rua em direcção à novena *.
As tardes antes passavam devagar. As tardes agora parecem tão curtas.
* Na fé católica, é um encontro para orações, realizado durante o período de nove dias. Lá na aldeia, e em grande parte das terras que conheço, realiza-se durante todo o mês de Maio, por ser considerado o mês de Maria. Teve a sua origem na Tradição Católica, mas pode ser encontrado noutras tradições ou crenças. Começou entre a Ascensão de Jesus Cristo ao Céu e a descida do Espírito Santo, quando se passaram nove dias (cf. Atos 1,3; 2,1). A Comunidade Cristã teria ficado reunida em torno de Maria, de algumas mulheres e dos Apóstolos por este período. Foi a primeira novena cristã.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Ganhar o concurso é importante, mas não é só isso...
Já ando nisto da blogosfera há muitos anos. Já leio e sigo blogues há mesmo muito tempo, nem me lembro desde quando. Existe um blog, o primeiro de todos, o mais querido de todos, o mais inspirador de todos, que nos faz sempre acreditar que a vida é mesmo boa. Que nos faz seguir sempre os nossos sonhos. Que nos faz sempre sorrir. A Sofia, do “às nove no meu blog”, tem esse poder nas pessoas. Tem a varinha de condão que me toca todos os dias. Que me coloca um brilhozinho nos olhos.
Hoje escrevi-lhe um email. Um email bonito e simples. Mais do que participar no passatempo que ela lançou, queria dizer-lhe o quanto gosto de a ler e o quanto ela me inspira. É incrível como é que nos apegamos a pessoas que nem sequer conhecemos. Só pela sua escrita. Só pelas suas imagens.
Posso não conseguir ganhar o concurso, mas já ganhei a tarde por ter conseguido escrever de uma forma tão pura e honesta o que estava aqui dentro guardado há anos. Obrigada, Sofia!
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| esta imagem linda, linda, também lhe pertence |
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