quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

o quarto das tias

O quarto era pequeno e limpo. Tinha uma cama antiga, com desenhos de flores na cabeceira e uma mesinha com 3 gavetas. Tinha uma cómoda de madeira escura e em cima dela uma caixa de papel verde com alguma maquilhagem. A tapar a cómoda, como era costume, um pano de renda. Tinha um espelho na parede onde passei horas a ver-me crescer. Apenas um tapete, em tons de vermelho e preto, tapava as tábuas largas e gastas. E não tinha espaço para mais nada.
Era o quarto das minhas tias, na casa dos meus avós. Foi o quarto onde quase cresci porque lá passei muitas noites. E foi o quarto onde dormimos todas, as tias e a única sobrinha. A primeira sobrinha. A primeira neta.
Ao longo dos anos vi a transformação que se deu em nós. Eu a ficar uma mulherzinha e elas a ficarem mulheres a sério, a namorarem e casarem. Lembro-me de ser pequenina e observar muito atenta a forma como se arranjavam. E quando elas saíam, eu ficava com o quarto só para mim. O espelho, o famoso espelho, era o público que sempre sonhei ter. Vestia as roupas delas. Usava os cremes e perfumava-me. Depois o espectáculo, o meu espectáculo acabava. Voltava a vestir o meu pijama pequenino e adormecia na cama delas. No dia seguinte acordávamos sempre com o meu avó na porta, bem cedo, com aquela voz que respeitávamos muito, que o senhor lá admitia dorminhocas em casa.
Depois fizeram obras na casa e eu perdi para sempre aquele quartinho. Ficou gravado na minha memória e, talvez porque nunca me quero esquecer dele, decidi hoje escrever sobre isso.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

daqueles dias em que a ansiedade vence a calma

Ontem à noite tive um daqueles momentos "ai caramba que isto está quase no fim e eu só vou a meio da preparação de receber um bebé em casa". O que vale é que tenho poucos momentos assim.
A gravidez tem sido agradavelmente calma. Ajuda saber nas consultas que a Sofia está bem, que tem crescido, que a mãe também está bem. Ajuda ter um pai calmo, sereno e sempre bem disposto. Ajuda ser uma grávida despreocupada. Mas depois olho para a lista de coisas para comprar/arranjar/pedir e fico assustada. Não imaginam vocês a grandiosidade da lista.
Inspira. Expira.
 
 
 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

estou de volta, numa sexta de Janeiro

Beeeem, já não vinha aqui há uns 500.000 anos. Mas não desapareci. Apenas andei sem tema, sem texto e com muito trabalho em cima.
Acabei por perder o dia das 15.000 visualizações conseguidas. Shame on me. Apenas posso agradecer, agradecer muito por estarem desse lado e, apesar de eu não vos escrever, continuarem a visitar-me.
Como está a minha vida? Pois que anda muito bem, obrigada.
Hoje a barriguinha de lontra faz 34 semanas. Já começo a sentir aquelas contracções com nome de duque inglês. Na cama a posição para dormir é para a esquerda e não sai nunca mais da esquerda que não consigo virar-me para mais lado nenhum. Mas tirando isso a coisa tem corrido bem.
E como está a casa? Está a andar e, apesar dos donos descrentes não acreditarem que vão lá passar a noite de S. João, o empreiteiro diz que as sardinhas serão comidas e assadas na nova churrasqueira. Deixa-nos com um bocadinho de esperança e isso é bom nesta altura de tanta descrença nacional.
Ainda estou a trabalhar, entenda-se no meu emprego, das 9h às 18h, de segunda a sexta. Até quando é que não sei. Talvez a consulta que vou ter no próximo dia 30 me traga mais respostas.
Ah e a mala da maternidade, já tens tudo? Pois. Não. Mas também não falta assim tanta coisa. Banheira, carrinho e babycoque (sei lá como se escrever correctamente isto). Ai isto faz parte da lista de essenciais? Vão dizer isso a uma loja do Outlet de Vila do Conde onde fizemos a encomenda dia 1 de Novembro e ainda não chegou nada. Descansem que andamos a tratar do assunto. Pelo menos a tentar, uma vez que daqui a nada a pequena vem ao mundo e não há cadeirinha para a miúda.
Portanto, é isto.
Agora vamos à Casa da Música a um concerto de música clássica (dizem que faz bem ao desenvolvimento da criança, mas acima de tudo vai fazer bem aos pais da criança, que bem precisam de andar relaxados para os dias que se avizinham).
Bom fim-de-semana e continuem a passar por cá! Prometo ser mais assídua. Aliás, este pode ser já o meu desafio para este ano que já começou há 23 dias. Mas também o que são 23 diazitos, não é?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

alicerces da vida

Não tenho a ilusão de ser feliz todos os dias, a toda a hora, permanentemente. Mas desejo tornar os nossos dias um bocadinho melhores, mais felizes e um bocadinho mais bonitos. Nem sempre consigo e nem sempre aquele raio de sol consegue trespassar a nuvem. Mas pelo menos vou tentando.
O compromisso que repito para mim todos os dias é o de não deixar de acreditar, de ter a certeza que depois dos dias menos bons vêm dias incrivelmente melhores. É ter a certeza que aconteça o que acontecer o nosso amor estará lá, naquele lugar protegido de tudo, onde só cabe e se aguenta um grande amor.
Aprendo a levantar-me todos os dias com uma atitude um bocadinho mais positiva. A encarar as dificuldades com o peito aberto. E se, de vez em quando, essa atitude não aparece, eu tento encontrar conforto na certeza das nossas decisões.
Dou graças pelo dia em que as nossas vidas se cruzaram, naquela noite fria de Dezembro, na cidade dos arcebispos. Dou graças pelo sentido que temos tentado dar às coisas, pela paz que tentamos ter nos momentos de maior ansiedade. Pelas dúvidas que deram lugar a certezas.
A minha serenidade consegue-me quando sinto que nada consegue abalar isso.
Assim como numa casa em que os alicerces têm de ser sólidos e firmes, também numa relação isso deve ser construído para que, independentemente das tempestades, dias maus, chuva ou trovoada, o amor prevaleça e a segurança nos faça sentir que vale a pena. Que o caminho que estamos a trilhar vale mesmo a pena.
 
 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

turbilhões

Quando era miúda, pequenina mesmo, colocava uma almofada na barriga, debaixo da camisola, e ficava a contemplar-me ao espelho. Pensava que um dia teria uma barriga de grávida a sério. Vieram os meus primos e consegui ser uma espécie de mãe para eles. Diziam os meus tios que eu tinha nascido para lidar com as crianças e, no fundo, eu sentia e sinto que é no meio das crianças que me sinto bem.
Agora chegou a minha vez. Agora é a sério e serei mãe a sério.
O maior presente de Natal que alguma vez imaginei é este. De valor infindável, de amor sem igual, de incerteza sobre o que se passará daqui a 2 meses.
Passa tudo muito rápido. A vida passa-nos entre os dedos. A agenda é folheada vezes sem conta, sempre com pontos por fazer, pontos feitos, ideias, sugestões, to do lists. Não consigo viver sem esta organização, que se por um lado é essencial para a minha vida, por outro não deixa de me criar ansiedade em querer fechar tudo, no tempo certo.
São muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo. São muitas emoções para gerir, decisões para tomar, contas para fazer, despesas ainda a gastar.
É neste turbilhão que a nossa vida está mas nem por isso deixo de andar sossegada e feliz.
 
Fotografias de um sábado no Porto. Quase 29 semanas...
 


 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Cartas à Sofia #3

28 semanas. Hoje faz 28 semanas. Mexes-te muito, principalmente à noite ou quando o pai me coloca a mão na barriga. Continuas a deixar-me dormir a noite toda, o que só é bom. Já sinto algumas dificuldades em me mover na cama, por isso, quando me deito para a esquerda, aí permaneço até de manhã.
Já li os livros todos (uns 10) e agora esperamos por ti. Já temos umas gavetas cheias de roupa linda para te vestir. De casaquinhos de lã feitos pelas mãos da avó, de imensas fraldas bordadas e personalizadas pela tia, de mantas, quentinhas, quentinhas, de lençóis que eram da cama da avó e foram bordados pela bisavó.
Continuas a ser uma menina doce, de certeza que serás doce. Tens dado uma gravidez de sonho à tua mãe que nada tem para se queixar.
O curso de mandarim já acabou. O teu pai continua muito preocupado com a casa que estamos a construir. O tempo está frio, muito frio. Já fizemos a árvore de natal e tens uma meia dedicada a ti. Para o ano teremos o teu sorriso quando ligarmos as luzinhas de Natal.
O ninho que estamos a preparar para ti está quase completo. Faltam umas pequenas coisas, nada de mais. Só faltas mesmo tu.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Do que a vida nos vai trazendo

Se me dissessem, há 4 anos atrás, tudo aquilo que agora tenho/consegui/estou a viver, não acreditava.
Porque nestes 1460 dias tanta, mas tanta coisa aconteceu, que por vezes confundo a realidade com o sonho.
Conhecemo-nos. Namoramos. Viajamos. Conhecemos sítios novos. Conhecemo-nos cada dia mais um bocadinho. Casamos. Fomos viver juntos. Decidimos que queríamos construir uma casa, da mesma raiz que nascem as árvores. Começamos a construir. Decidimos que queríamos ter um filho. A Sofia vem a caminho.
2015 será, mais uma vez, um grande ano. Nascimento da menina. Mudanças para a casa nova. Uma vida a 3.
Há 4 anos atrás eramos já crescidos, é verdade, mas mais miúdos. Crescemos, muito. A vida tem-nos colocado equações que tentamos todos os dias resolver. E resolvemos.
O que dá verdadeiramente sentido à vida são estas questões. É aquele olhar que acaricia. É aquela palavra que reconforta. É aquele beijo que aquece. É aquela mão que nos descansa. É saber que só assim a vida corre com um sentido, numa marcha que se quer por vezes lenta outras vezes rápida. Nem sempre o rio tem a limpidez para espelhar o céu azul e nem sempre as margens suportam as adversidades de um dia de tempestade, margens que transbordam e água que sai do seu trajecto. Mas com paciência e uma boa dose de compreensão, tudo pára, tudo sossega e o rio baixa o seu caudal.
São as certezas das decisões que tomamos/estamos a tomar que nos permitem dizer, com a alma cheia e o olhar sincero, que somos felizes.
 
 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Cartas à Sofia #2

Querida Sofia,
Os dias continuam muito cinzentos e de chuva. Dizem os livros que por esta altura já tens sensibilidade à luz do mundo externo, mas com dias tão escuros não te deves preocupar com isso.
O teu pai sonhou esta semana que te tínhamos colocado nos escuteiros com 2 meses. Imagina. E que ele estava conduzir para te irmos ver ao acampamento.
Eu fui fazer o exame da glicose, aquele que muitas mães se queixam que não conseguem e dizem que o sumo é insuportável. Correu muito bem. Devo dizer-te que o sumo de laranja (podia escolher laranja ou limão) era bastante agradável e que consegui estar 3 horas no hospital a tirar sangue de hora a hora. Amanhã já levanto os exames e vamos ver os resultados.
Continuamos muito ocupados na nossa vida. O teu pai preocupado com a casa que estamos a construir. Dá muitas dores de cabeça, sabes? Todos os dias aparece uma chatice, uma decisão que temos de tomar, uma reunião. Dias nada fáceis. Eu continuo no mandarim e ontem tive um teste surpresa. Parece coisa de miúdos, não parece? Na segunda feira é teste a sério.
Às vezes, muitas vezes, sinto-me culpada por não te dar aquela atenção que talvez precisasses. Por não falar contigo quando dizem que devemos falar. Por não ter a loucura das mães que leio que vivem os dias a comprar roupas e roupinhas, vestidinhos, lacinhos. De basicamente te ter apenas comprado um pijaminha (tudo o resto ou é feito ou comprado pela tua tia Inês ou avó Isabel). De não tirar fotografias à barriga que está tão grande. De não fazer sessão de grávida e outras tretas que entretanto vão inventando neste mundo da gravidez. Talvez porque algumas coisas ache uma treta. Deve ser isso.
Dizem que tenho uma barriga muito bonita. Que estou igualmente bonita. E que nem ando à grávida nem nada (vá lá saber o que significa J).
Para a semana faço 35 anos. Não gosto de fazer anos. Não pela idade, mas pelo dia em si. Não gosto dos imensos telefonemas, dos imensos beijinhos, da imensa atenção. Quero sempre que o dia passe bem rápido. Sou assim, não sei porquê. Gostava de ser diferente. Mas na verdade não consigo.
Ainda falta mais de uma semana para te vermos outra vez naquele ecrã que aprendemos a decifrar. Para vermos o teu peso, a tua altura, os teus órgãos, os teus ossinhos. Para confirmarmos que estás a crescer bem e saudável.
Daqui a pouco a casa enche-se com o espírito de Natal. Este ano, apesar de ainda não te termos nos braços, vamos colocar 3 meias na árvore. Quem sabe o Pai-Natal não te vai deixar lá uma prendinha!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

340 m2 de Filosofia e berbicachos

Tomada a decisão de construir uma casa, demos início à exigente tarefa de escolher um arquitecto que a desenhasse. Uns meses mais tarde percebemos que deveríamos ter começado o processo por outro lado, mas essa história fica para depois. Ludwig Wittgenstein, filósofo habituado aos mais complicados conceitos físicos e metafísicos, ocupou uns anos da sua vida a construir uma casa em Viena. No final afirmou sem reticências: “consideram que a Filosofia é difícil mas digo-vos que ela não é nada quando comparada com a dificuldade de ser um bom arquitecto”. Não querendo ir tão longe (experimentem ler um texto de Wittgenstein para ver o que é bom para a tosse), concordo que a tarefa é espinhosa. Lembremo-nos que a função de um (bom) arquitecto não é apenas tratar da arquitectura mas coordenar todos os projectos necessários, a maioria dos quais da responsabilidade de outros expertos (engenheiros, normalmente; todos expertos mas nem todos espertos). Não adianta desenhar uma casa muito bonita para depois descobrir que, com aquela disposição das assoalhadas, os canos do cocó, do xixi e do vomitado do filho adolescente teriam de atravessar a mesa de jantar. Ou que a chaminé da lareira teria de ficar encostada aos pés da cama do mais novo. Assim de memória, consigo lembrar-me de uma boa dúzia de projectos (ditos de especialidade) que passeiam comigo diariamente entre a casa onde vivemos, o escritório onde trabalho e a casa que estamos a construir: o projecto de estabilidade, o projecto de águas pluviais, o eléctrico, o térmico, o de saneamento, o projecto de ventilação, o projecto da rede de gás, e não continuo para não vos maçar. Até o “barraco” onde vão estar os recipientes para separação do lixo precisa de um projecto autónomo. E no âmbito da arquitectura propriamente dita, para além daqueles desenhos que todos conhecem (plantas, alçados, cortes), há dezenas de folhas com pormenores de portas, grades, chaminés, tectos, rodapés, espelhos, armários, portões, casas de banho, etc., etc., infinitos etc. Só faltou que me medissem o rabo para definir o formato das sanitas. Coordenar e conjugar tudo isto é do caraças, e “caraças” não é exactamente a palavra que me apetecia utilizar.
O nosso método de “recrutamento e selecção” de um arquitecto foi, inicialmente, de uma racionalidade quase científica. Era necessário encontrar um profissional que confiasse nas suas capacidades mas que estivesse disponível para ouvir as nossas ideias; imaginativo mas que não comprometesse o indispensável pragmatismo; que tivesse dotes de artista mas sem os caprichos dos artistas; que fosse requintado na escolha dos materiais mas que tivesse a capacidade de encaixar um “não” caso os requintes se mostrassem demasiado dispendiosos. Em resumo, que fosse muito bom mas não tão bom que nos levasse à falência. Eram estes os critérios teóricos que tínhamos à partida; na prática, a escolha do arquitecto foi feita de acordo com o mesmo método que utilizamos em muitas outras decisões das nossas vidas não relacionadas com a construção civil, da compra de um cavaquinho novo à contratação de uma mulher-a-dias: falar com amigos e conhecidos para sacar referências, e siga.       
O terreno que já tinha feito parte de um campo de cultivo comprado por uns contos de réis ganhos na Venezuela pelo avô apresentava algumas condicionantes a ter em conta. Oferecia-nos desafios interessantes, como gostam de dizer aquelas pessoas dinâmicas, optimistas e com atitude vencedora, entre as quais, infelizmente, não me incluo. Para mim aquilo eram mesmo berbicachos. Em primeiro lugar era relativamente pequeno, cerca de 340 m2 de área total. Tinha também uma área de implantação autorizada que era, à falta de uma palavra mais simpática, ridícula. Por último, sendo destinado a uma casa com 3 pisos, em utilizando a distribuição usual (garagem na cave, zona social no rés-do-chão, quartos no 1º andar), obrigava a uma rampa de acesso automóvel muito acentuada. Refiro-me a um daqueles declives em que quando vamos a sair só vemos a frente do carro e o céu. Sim, uma daquelas subidas que as senhoras fazem em alta velocidade para não correrem o risco do automóvel parar a meio e terem de aplicar o temido ponto de embraiagem, ponto que demoram quase tanto tempo a descobrir como o que os homens precisam para encontrar o ponto G (brincadeira, brincadeira… a Andorinha é uma excelente condutora). Mas adiante. O primeiro berbicacho não tinha solução, o terreno não esticava; o segundo foi resolvido a troco do pagamento de umas centenas de euros em taxas, promovendo uma alteração do loteamento junto da respeitosa Câmara Municipal; a maneira como se resolveu o problema dos declives fica para um outro capítulo. Até à próxima, se Eu quiser.

Andorinho               
 
 
 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Cartas à Sofia #1

Querida Sofia,
 Os teus pais têm andado muito atarefados com a casa que estão a construir e para onde iremos morar quando tiveres uns 5 ou 6 meses. Até lá, vamos viver os 3 no conforto daquele apartamento virado para sul e poente.
A tua mãe decidiu inscrever-se no mandarim e, 2 vezes por semana, sai do emprego e fica a aprender uma nova língua até às 22h. Nesses dias chega a casa muito cansada, mas tem sempre o teu pai de braços abertos para a receber.
O teu pai divide-se entre o trabalho e reuniões com os especialistas. Carpinteiro, electricista, picheleiro, o senhor do aquecimento. Todos os dias de manhã, lá para as 8h, está na obra. Agora que a hora de Inverno se instalou, e o mau tempo com ela, não dá para fazer nada ao fim do dia.
Na terça-feira o teu pai diz que sentiu muito os teus pontapés à noite. Durante o dia também os sinto, principalmente depois de almoço.
Só te iremos ver numa nova ecografia no fim deste mês. Até lá, ainda vou fazer análises ao sangue e também umas muito chatas da glicose.
A tua tia Inês e a tua avó Isabel têm-te feito coisas tão bonitas. Tens vestidos de malha, casaquinhos quentinhos, fraldas e lençóis personalizados. E carapins, pequeninos, pequeninos.
Temos um berço branco e alguns bonecos a enfeitá-lo. No fim-de-semana estivemos a arranjar espaço naquele apartamento virado para sul e poente para colocar a tua roupinha. Alguma roupa nossa teve de ser dividida entre a casa da avó Catarina e a casa da avó Isabel.
As senhoras aqui do emprego dizem que estou uma grávida muito bonita, mesmo com estes quase 72 quilos.
Agora que te escrevo, e que ouço a música clássica que o teu pai me enviou, dás sinais da tua existência. E é bom sentir-te.
Irás trazer muita alegria às nossas famílias que será a tua família. Grande. Cheia de amigos, tias e tios, primos.