terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Quase nas 36 semanas

As noites já não são as mesmas noites que tinha. O peso das 36 semanas de gravidez começa a sentir-se e eu começo a achar que está na altura de abrandar o ritmo.
As mãos (e braços, sei lá) ficam dormentes durante a noite. Acordo várias vezes, não para fazer xixi mas porque me sinto desconfortável na cama.
Dizem que é o corpo a preparar-nos para o que aí vem. Pois.
Depois de jantar volto a não aguentar estar muito tempo acordada. Bocejo 5.000 vezes até que me decido (o meu marido decide ;)) que talvez fosse melhor ir descansar.
Não tenho muito apetite, tal deve ser o aperto que o estômago está a levar.
Já não há quase nada que me sirva e por isso a roupa que escolho para vestir de manhã não foge muito do habitual. Não estou para comprar roupa nova a 2 ou 3 semanas de ser mãe.
Trabalho ainda esta semana e depois tudo abranda. Posso dedicar-me à casa, à mala da maternidade, a passar a roupinha dela a ferro, a fazer-lhe a cama, a tratar da limpeza (mandar limpar) da casa, a organizar tudo (conforme posso).
Às vezes a sensação é que passou tudo muito rápido. Outras vezes, talvez aquelas vezes em que estou de rastos, acho que ando nisto há muito tempo. E pensando bem, já. 36 semanas.
Não sei o que me espera. Não sei nem quero pensar nisso. Prefiro viver o presente, aproveitar estes últimos dias de grávida que, a juntar aos 3 primeiros meses, estão a ser os mais difíceis.
Sei que irá ser uma aventura daquelas. Cá te esperamos, Sofia.
 
 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

afazeres

Vou precisar:
 
  • de arranjar uma empregada para ir lá a casa fazer uma limpeza geral. Daquelas limpezas que eu gosto, mas que já não consigo fazer. Porque quero preparar a chegada da Sofia e preciso mesmo de limpar a fundo aquela casa. Ainda por cima estamos lá em obras:
  • de passar a ferro toda a roupa da Sofia e arruma-la convenientemente no seu lugar;
  • de fazer a mala da maternidade;
  • de marcar uma visita à esteticista e tratar um bocado de mim antes do grande dia;
  • de me encontrar com o João, o meu cabeleireiro, e cortar o cabelo (que é pequenino, eu sei, mas que para mim já está comprido). Já sei que depois o tempo não vai ser muito, por isso…
  • e marcar consulta no centro de saúde da terra, uma vez que ainda não consegui fazer a transferência.
Mas isto tudo, só depois de saber até quando vou trabalhar. Porque quero fazer isto com calma. Amanhã, espero mesmo que amanhã a médica me possa dar indicações mais precisas.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

o quarto das tias

O quarto era pequeno e limpo. Tinha uma cama antiga, com desenhos de flores na cabeceira e uma mesinha com 3 gavetas. Tinha uma cómoda de madeira escura e em cima dela uma caixa de papel verde com alguma maquilhagem. A tapar a cómoda, como era costume, um pano de renda. Tinha um espelho na parede onde passei horas a ver-me crescer. Apenas um tapete, em tons de vermelho e preto, tapava as tábuas largas e gastas. E não tinha espaço para mais nada.
Era o quarto das minhas tias, na casa dos meus avós. Foi o quarto onde quase cresci porque lá passei muitas noites. E foi o quarto onde dormimos todas, as tias e a única sobrinha. A primeira sobrinha. A primeira neta.
Ao longo dos anos vi a transformação que se deu em nós. Eu a ficar uma mulherzinha e elas a ficarem mulheres a sério, a namorarem e casarem. Lembro-me de ser pequenina e observar muito atenta a forma como se arranjavam. E quando elas saíam, eu ficava com o quarto só para mim. O espelho, o famoso espelho, era o público que sempre sonhei ter. Vestia as roupas delas. Usava os cremes e perfumava-me. Depois o espectáculo, o meu espectáculo acabava. Voltava a vestir o meu pijama pequenino e adormecia na cama delas. No dia seguinte acordávamos sempre com o meu avó na porta, bem cedo, com aquela voz que respeitávamos muito, que o senhor lá admitia dorminhocas em casa.
Depois fizeram obras na casa e eu perdi para sempre aquele quartinho. Ficou gravado na minha memória e, talvez porque nunca me quero esquecer dele, decidi hoje escrever sobre isso.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

daqueles dias em que a ansiedade vence a calma

Ontem à noite tive um daqueles momentos "ai caramba que isto está quase no fim e eu só vou a meio da preparação de receber um bebé em casa". O que vale é que tenho poucos momentos assim.
A gravidez tem sido agradavelmente calma. Ajuda saber nas consultas que a Sofia está bem, que tem crescido, que a mãe também está bem. Ajuda ter um pai calmo, sereno e sempre bem disposto. Ajuda ser uma grávida despreocupada. Mas depois olho para a lista de coisas para comprar/arranjar/pedir e fico assustada. Não imaginam vocês a grandiosidade da lista.
Inspira. Expira.
 
 
 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

estou de volta, numa sexta de Janeiro

Beeeem, já não vinha aqui há uns 500.000 anos. Mas não desapareci. Apenas andei sem tema, sem texto e com muito trabalho em cima.
Acabei por perder o dia das 15.000 visualizações conseguidas. Shame on me. Apenas posso agradecer, agradecer muito por estarem desse lado e, apesar de eu não vos escrever, continuarem a visitar-me.
Como está a minha vida? Pois que anda muito bem, obrigada.
Hoje a barriguinha de lontra faz 34 semanas. Já começo a sentir aquelas contracções com nome de duque inglês. Na cama a posição para dormir é para a esquerda e não sai nunca mais da esquerda que não consigo virar-me para mais lado nenhum. Mas tirando isso a coisa tem corrido bem.
E como está a casa? Está a andar e, apesar dos donos descrentes não acreditarem que vão lá passar a noite de S. João, o empreiteiro diz que as sardinhas serão comidas e assadas na nova churrasqueira. Deixa-nos com um bocadinho de esperança e isso é bom nesta altura de tanta descrença nacional.
Ainda estou a trabalhar, entenda-se no meu emprego, das 9h às 18h, de segunda a sexta. Até quando é que não sei. Talvez a consulta que vou ter no próximo dia 30 me traga mais respostas.
Ah e a mala da maternidade, já tens tudo? Pois. Não. Mas também não falta assim tanta coisa. Banheira, carrinho e babycoque (sei lá como se escrever correctamente isto). Ai isto faz parte da lista de essenciais? Vão dizer isso a uma loja do Outlet de Vila do Conde onde fizemos a encomenda dia 1 de Novembro e ainda não chegou nada. Descansem que andamos a tratar do assunto. Pelo menos a tentar, uma vez que daqui a nada a pequena vem ao mundo e não há cadeirinha para a miúda.
Portanto, é isto.
Agora vamos à Casa da Música a um concerto de música clássica (dizem que faz bem ao desenvolvimento da criança, mas acima de tudo vai fazer bem aos pais da criança, que bem precisam de andar relaxados para os dias que se avizinham).
Bom fim-de-semana e continuem a passar por cá! Prometo ser mais assídua. Aliás, este pode ser já o meu desafio para este ano que já começou há 23 dias. Mas também o que são 23 diazitos, não é?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

alicerces da vida

Não tenho a ilusão de ser feliz todos os dias, a toda a hora, permanentemente. Mas desejo tornar os nossos dias um bocadinho melhores, mais felizes e um bocadinho mais bonitos. Nem sempre consigo e nem sempre aquele raio de sol consegue trespassar a nuvem. Mas pelo menos vou tentando.
O compromisso que repito para mim todos os dias é o de não deixar de acreditar, de ter a certeza que depois dos dias menos bons vêm dias incrivelmente melhores. É ter a certeza que aconteça o que acontecer o nosso amor estará lá, naquele lugar protegido de tudo, onde só cabe e se aguenta um grande amor.
Aprendo a levantar-me todos os dias com uma atitude um bocadinho mais positiva. A encarar as dificuldades com o peito aberto. E se, de vez em quando, essa atitude não aparece, eu tento encontrar conforto na certeza das nossas decisões.
Dou graças pelo dia em que as nossas vidas se cruzaram, naquela noite fria de Dezembro, na cidade dos arcebispos. Dou graças pelo sentido que temos tentado dar às coisas, pela paz que tentamos ter nos momentos de maior ansiedade. Pelas dúvidas que deram lugar a certezas.
A minha serenidade consegue-me quando sinto que nada consegue abalar isso.
Assim como numa casa em que os alicerces têm de ser sólidos e firmes, também numa relação isso deve ser construído para que, independentemente das tempestades, dias maus, chuva ou trovoada, o amor prevaleça e a segurança nos faça sentir que vale a pena. Que o caminho que estamos a trilhar vale mesmo a pena.
 
 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

turbilhões

Quando era miúda, pequenina mesmo, colocava uma almofada na barriga, debaixo da camisola, e ficava a contemplar-me ao espelho. Pensava que um dia teria uma barriga de grávida a sério. Vieram os meus primos e consegui ser uma espécie de mãe para eles. Diziam os meus tios que eu tinha nascido para lidar com as crianças e, no fundo, eu sentia e sinto que é no meio das crianças que me sinto bem.
Agora chegou a minha vez. Agora é a sério e serei mãe a sério.
O maior presente de Natal que alguma vez imaginei é este. De valor infindável, de amor sem igual, de incerteza sobre o que se passará daqui a 2 meses.
Passa tudo muito rápido. A vida passa-nos entre os dedos. A agenda é folheada vezes sem conta, sempre com pontos por fazer, pontos feitos, ideias, sugestões, to do lists. Não consigo viver sem esta organização, que se por um lado é essencial para a minha vida, por outro não deixa de me criar ansiedade em querer fechar tudo, no tempo certo.
São muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo. São muitas emoções para gerir, decisões para tomar, contas para fazer, despesas ainda a gastar.
É neste turbilhão que a nossa vida está mas nem por isso deixo de andar sossegada e feliz.
 
Fotografias de um sábado no Porto. Quase 29 semanas...
 


 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Cartas à Sofia #3

28 semanas. Hoje faz 28 semanas. Mexes-te muito, principalmente à noite ou quando o pai me coloca a mão na barriga. Continuas a deixar-me dormir a noite toda, o que só é bom. Já sinto algumas dificuldades em me mover na cama, por isso, quando me deito para a esquerda, aí permaneço até de manhã.
Já li os livros todos (uns 10) e agora esperamos por ti. Já temos umas gavetas cheias de roupa linda para te vestir. De casaquinhos de lã feitos pelas mãos da avó, de imensas fraldas bordadas e personalizadas pela tia, de mantas, quentinhas, quentinhas, de lençóis que eram da cama da avó e foram bordados pela bisavó.
Continuas a ser uma menina doce, de certeza que serás doce. Tens dado uma gravidez de sonho à tua mãe que nada tem para se queixar.
O curso de mandarim já acabou. O teu pai continua muito preocupado com a casa que estamos a construir. O tempo está frio, muito frio. Já fizemos a árvore de natal e tens uma meia dedicada a ti. Para o ano teremos o teu sorriso quando ligarmos as luzinhas de Natal.
O ninho que estamos a preparar para ti está quase completo. Faltam umas pequenas coisas, nada de mais. Só faltas mesmo tu.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Do que a vida nos vai trazendo

Se me dissessem, há 4 anos atrás, tudo aquilo que agora tenho/consegui/estou a viver, não acreditava.
Porque nestes 1460 dias tanta, mas tanta coisa aconteceu, que por vezes confundo a realidade com o sonho.
Conhecemo-nos. Namoramos. Viajamos. Conhecemos sítios novos. Conhecemo-nos cada dia mais um bocadinho. Casamos. Fomos viver juntos. Decidimos que queríamos construir uma casa, da mesma raiz que nascem as árvores. Começamos a construir. Decidimos que queríamos ter um filho. A Sofia vem a caminho.
2015 será, mais uma vez, um grande ano. Nascimento da menina. Mudanças para a casa nova. Uma vida a 3.
Há 4 anos atrás eramos já crescidos, é verdade, mas mais miúdos. Crescemos, muito. A vida tem-nos colocado equações que tentamos todos os dias resolver. E resolvemos.
O que dá verdadeiramente sentido à vida são estas questões. É aquele olhar que acaricia. É aquela palavra que reconforta. É aquele beijo que aquece. É aquela mão que nos descansa. É saber que só assim a vida corre com um sentido, numa marcha que se quer por vezes lenta outras vezes rápida. Nem sempre o rio tem a limpidez para espelhar o céu azul e nem sempre as margens suportam as adversidades de um dia de tempestade, margens que transbordam e água que sai do seu trajecto. Mas com paciência e uma boa dose de compreensão, tudo pára, tudo sossega e o rio baixa o seu caudal.
São as certezas das decisões que tomamos/estamos a tomar que nos permitem dizer, com a alma cheia e o olhar sincero, que somos felizes.