sábado, 21 de março de 2015

não sei como te explicar

Beijo-te a testa e cheiro o teu cabelo perfumado e macio. Passo as minhas mãos nas tuas e, olhando para ambas, fico a achar que tenho mãos de gigante. Vejo-te a bocejar, a elevares os teus braços pequeninos, a esticares todo o teu corpo com os seus 51 centímetros. Ouvimos jazz, sentimos o sol a entrar dentro de nossa casa.
Não sei como te explicar o sentimento de ser mãe. É como uma receita de um bolo, uma mistura de muitos ingredientes. É medo, ansiedade, felicidade. É sentir que não estamos à altura e é sentir que fomos feitas para isto.
Tenho saudades da rua, do sol e, às vezes, do emprego. Estou (estamos) há quase 1 mês aqui dentro de casa. Mas a temperatura começa a convidar-nos a passeios pelo bairro.
Dormes e pareces um anjo. 
Vejo-te a crescer e tenho medo de perder alguma coisa, nesta viagem que ainda agora começou.




terça-feira, 10 de março de 2015

Sofia

24 de Fevereiro
21h50
3.370g
50cm

Nenhum nascimento cabe em palavras. Os dias de contemplação, as horas que queremos que parem, os minutos de alegria profunda e cada segundo contado desde que te temos na nossa vida.
Só agora consigo parar, pensar, escrever. Só agora, enquanto te vejo a dormir como um anjo, sentada ao teu lado, é que percebo esse sentimento de ser mãe.
Dormes, embalado pelo sono e pelo amor que te damos.
És doce, calma, perfeita. Fazes um beicinho lindo. Sorris, muito. Adoras o leitinho da mãe e o banho na Shantala que o pai te dá. Não gostas que te tirem a roupa. Tens cabelo preto, macio e uma pele de cheiro delicado. Cheiras tão bem. Cheiras a Sofia!
Dormes bem à noite. Quando tens fome, levas as mãos à boca agitando-as freneticamente. Não gostas muito da chupeta. Gostas que falem contigo e observas atenta tudo o que te dizemos. Mesmo que te deitemos de costas, tens a tua própria posição de lado. Nada a fazer. Não gostas de te sentir muito tapada pelos lençóis e cobertores. Agarras o nosso dedo com força. Gostas muito de comer e a mãe adora dar-te de mamar. Portaste-te muito bem nas vacinas. Já fomos à primeira consulta com o pediatra e emagreceste 200 g. Vamos já recuperar isso com mais leitinho.

É um amor que trespassa o coração. Trespassa mesmo!







quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Das coisas que fiz e outras tantas que ficaram por fazer

Não comprei roupa de grávida especial. Apenas umas calças normais no tamanho mais largo e o resto teve de servir.
Não fomos passar nenhum fim-de-semana romântico, ou mini férias como dizem que o casal deve passar antes da criança vir ao mundo. Na verdade, não temos tempo para isso.
A construção da casa tirou-nos (principalmente a ele) toda e qualquer vontade de espairecer. E o dinheiro, claro está. Construir uma casa tem muito mais de angustiante que romântico. Além disso, os dias que tínhamos livres eram passados à volta dos projectos. Ainda passeamos por Coimbra, fomos algumas vezes ao cinema, jantamos fora, passeamos pelo Porto muitos sábados à tarde. Não esquecemos os amigos nem a família. Mas a maior parte das vezes repousamos os corpos cansados da semana no sofá de casa. O tempo, este tempo de Inverno que nos acompanha há muito, não permitiu grandes saídas. Dizem que o Inverno é bom para as grávidas. Ao menos isso. Não há cá inchaços e calor, isso realmente não há. Mas a vitamina D faltou. O Sol faltou. 
Não fiz nenhuma sessão de grávida. Tirei algumas fotografias em casa (ele tirou-me) e pouco mais. Tento registar tudo num Livro de Grávida que tenho, para que nada fique esquecido, principalmente nos dias das ecografias.
Não tive um único desejo. Apenas que a menina nasça bem, saudável. E isto já é um grande desejo, verdade?
 Estou na recta final e acho que fiz pouco. Acho que me centrei sempre no trabalho, no dia-a-dia corriqueiro, esquecendo-me que posso nunca mais viver este momento.
Talvez porque sou uma pessoa simples. Talvez porque tenha sido uma gravidez absolutamente normal desde o inicio, sem sustos nem ansiedades. Talvez porque não goste daquele show habitual que se cria à volta da grávida. Talvez porque goste de passar assim, despercebida ao mundo, somente saindo do casulo quando quero, onde quero, com quem quero.
 
 
 

Quase nas 36 semanas

As noites já não são as mesmas noites que tinha. O peso das 36 semanas de gravidez começa a sentir-se e eu começo a achar que está na altura de abrandar o ritmo.
As mãos (e braços, sei lá) ficam dormentes durante a noite. Acordo várias vezes, não para fazer xixi mas porque me sinto desconfortável na cama.
Dizem que é o corpo a preparar-nos para o que aí vem. Pois.
Depois de jantar volto a não aguentar estar muito tempo acordada. Bocejo 5.000 vezes até que me decido (o meu marido decide ;)) que talvez fosse melhor ir descansar.
Não tenho muito apetite, tal deve ser o aperto que o estômago está a levar.
Já não há quase nada que me sirva e por isso a roupa que escolho para vestir de manhã não foge muito do habitual. Não estou para comprar roupa nova a 2 ou 3 semanas de ser mãe.
Trabalho ainda esta semana e depois tudo abranda. Posso dedicar-me à casa, à mala da maternidade, a passar a roupinha dela a ferro, a fazer-lhe a cama, a tratar da limpeza (mandar limpar) da casa, a organizar tudo (conforme posso).
Às vezes a sensação é que passou tudo muito rápido. Outras vezes, talvez aquelas vezes em que estou de rastos, acho que ando nisto há muito tempo. E pensando bem, já. 36 semanas.
Não sei o que me espera. Não sei nem quero pensar nisso. Prefiro viver o presente, aproveitar estes últimos dias de grávida que, a juntar aos 3 primeiros meses, estão a ser os mais difíceis.
Sei que irá ser uma aventura daquelas. Cá te esperamos, Sofia.
 
 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

afazeres

Vou precisar:
 
  • de arranjar uma empregada para ir lá a casa fazer uma limpeza geral. Daquelas limpezas que eu gosto, mas que já não consigo fazer. Porque quero preparar a chegada da Sofia e preciso mesmo de limpar a fundo aquela casa. Ainda por cima estamos lá em obras:
  • de passar a ferro toda a roupa da Sofia e arruma-la convenientemente no seu lugar;
  • de fazer a mala da maternidade;
  • de marcar uma visita à esteticista e tratar um bocado de mim antes do grande dia;
  • de me encontrar com o João, o meu cabeleireiro, e cortar o cabelo (que é pequenino, eu sei, mas que para mim já está comprido). Já sei que depois o tempo não vai ser muito, por isso…
  • e marcar consulta no centro de saúde da terra, uma vez que ainda não consegui fazer a transferência.
Mas isto tudo, só depois de saber até quando vou trabalhar. Porque quero fazer isto com calma. Amanhã, espero mesmo que amanhã a médica me possa dar indicações mais precisas.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

o quarto das tias

O quarto era pequeno e limpo. Tinha uma cama antiga, com desenhos de flores na cabeceira e uma mesinha com 3 gavetas. Tinha uma cómoda de madeira escura e em cima dela uma caixa de papel verde com alguma maquilhagem. A tapar a cómoda, como era costume, um pano de renda. Tinha um espelho na parede onde passei horas a ver-me crescer. Apenas um tapete, em tons de vermelho e preto, tapava as tábuas largas e gastas. E não tinha espaço para mais nada.
Era o quarto das minhas tias, na casa dos meus avós. Foi o quarto onde quase cresci porque lá passei muitas noites. E foi o quarto onde dormimos todas, as tias e a única sobrinha. A primeira sobrinha. A primeira neta.
Ao longo dos anos vi a transformação que se deu em nós. Eu a ficar uma mulherzinha e elas a ficarem mulheres a sério, a namorarem e casarem. Lembro-me de ser pequenina e observar muito atenta a forma como se arranjavam. E quando elas saíam, eu ficava com o quarto só para mim. O espelho, o famoso espelho, era o público que sempre sonhei ter. Vestia as roupas delas. Usava os cremes e perfumava-me. Depois o espectáculo, o meu espectáculo acabava. Voltava a vestir o meu pijama pequenino e adormecia na cama delas. No dia seguinte acordávamos sempre com o meu avó na porta, bem cedo, com aquela voz que respeitávamos muito, que o senhor lá admitia dorminhocas em casa.
Depois fizeram obras na casa e eu perdi para sempre aquele quartinho. Ficou gravado na minha memória e, talvez porque nunca me quero esquecer dele, decidi hoje escrever sobre isso.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

daqueles dias em que a ansiedade vence a calma

Ontem à noite tive um daqueles momentos "ai caramba que isto está quase no fim e eu só vou a meio da preparação de receber um bebé em casa". O que vale é que tenho poucos momentos assim.
A gravidez tem sido agradavelmente calma. Ajuda saber nas consultas que a Sofia está bem, que tem crescido, que a mãe também está bem. Ajuda ter um pai calmo, sereno e sempre bem disposto. Ajuda ser uma grávida despreocupada. Mas depois olho para a lista de coisas para comprar/arranjar/pedir e fico assustada. Não imaginam vocês a grandiosidade da lista.
Inspira. Expira.