sexta-feira, 4 de setembro de 2015

simplificar

sim·pli·fi·car
verbo transitivo
1. Tornar simples ou mais simples.
2. Tornar menos complicado.
3. Reduzir a termos menores (fracção).
verbo pronominal
4. Tornar-se simples ou menos complicado.

"simplificar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

 
Confúcio dizia que “o homem que é firme, paciente, simples, natural e tranquilo está perto da virtude”. Mas tudo isto se torna confuso quando não sabemos como.
A vida que idealizei para mim, ainda miúda, deitada nos campos amarelos de trigo a ouvir os grilos entra e sai da toca e de pés descalços para sentir a erva seca a estalar por entre os dedos queimados pelo sol e escuros pela terra, não está muito longe daquela que sonhei.
Sonhadora nata, com mais caminhadas pela lua do que pelo chão de lousa negra da cozinha, fazia grandes filmes sobre casamentos, filhos, casas, empregos. Queria casar-me na igreja com um véu de renda. Queria ter 3 filhos. Queria uma casa com jardim atrás, espaço para um baloiço e umas ervas aromáticas. Queria um emprego das 9h às 6h numa secretária (sim, eu sei que provoquei urticária aos meus leitores trabalhadores freelancer, que eu admiro imeeeeeeenso, mas era realmente isto que eu desejava). Vistas as coisas, consegui tudo, à exceção dos filhos que ainda só tenho uma. Ainda.
Não fui habituada a ter tudo. Muito longe disso. E ainda bem. Restava-me a imaginação e muitas horas a olhar para o céu para fazer muitas conquistas. O verão que durava 3 meses era passado nas praias de Gaia (tão longe de casa mas as mais próximas), na casa da avó, nas explicações da tia Susana a fazer cópias, ditados e a tabuada até aos 9, a apanhar pinhas para o Inverno, a fazer cross com o meu irmão na bicicleta que ganhei na comunhão, a brincar às escondidas até às 10 da noite (hora limite para evitar o chinelo da minha mãe). A vida era simples, mesmo muito simples. Éramos crianças a valer.
Agora que sou crescida, no alto dos meus 1.64cm, e a ver crescer uma filha, só gostava que a vida fosse mais simples. Sim, eu sei que a nossa vida é aquilo que fazemos dela, mas às vezes não dá, às vezes é bem complicado, às vezes não sabemos para que lado nos virar, qual polvo tonto que perdeu o seu caminho.
Simplificar é difícil, mas não impossível. É este o meu lema e é esta a minha missão para o futuro. Não esquecer nunca de onde vim, onde estou e para onde vou.

 
 
Nós, os nossos pés, a nossa praia, o nosso amor, o nosso norte de água gelada.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

recomeçar


re·co·me·çar - Conjugar
verbo transitivo e intransitivo
Tornar a começar. = REINICIAR

"recomeçar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013,
 
Setembro. Toda a gente fala do recomeço que é Setembro. Toda a gente fala do inicio de tudo em Setembro. E eu, fiel adepta dos recomeços deste mês, não vou voltar a falar sobre tudo o que já li/o que vocês escreveram.
Pensava eu que era das poucas a gostar mais de Setembro do que Dezembro. Errado.
Novas caras nos blogues, novas marcas, novos posts, novo ânimo, novas dietas, novas casas, colecções novas, novos projectos, vejo de tudo. E fico feliz, fico mesmo muito feliz.
Por acaso não comprei, mas gosto das agendas que começam e acabam em Setembro. É um mês carregado de mixed feelings, não é? Porque se por um lado significa o fim das férias, por outro não significa o fim da praia.
Agora que penso nisso, também gosto de Setembro por estar associado ao inicio das aulas (e sim, também sei que muitos de vocês também acham isto) e aos cadernos novos (um dia escrevo-vos sobre a minha tara por cadernos que compro e acumulo sem escrever uma única palavra para não os estragar).
Mas, como disse, não falemos do significado do mês de Setembro para mim. Falemos antes sobre o significado de recomeçar.
Recomeçar é tornar a começar, e é isso que eu sinto sempre que chego aqui ao blog para escrever alguma coisa. Porque se passa tanto tempo entre cada post, perdem-se histórias que queria partilhar e não consigo. Então parece sempre que estou a recomeçar quando na verdade o meu desejo era continuar. Continuar pressupõe método, trabalho, resiliência. Continuar é seguir o caminho, o mesmo caminho, todos os dias. É caminhar na direcção certa. É prever temas, improvisar outros, escrever para não esquecer. É arranjar tempo. Não é fácil, não é mesmo nada fácil, e depois cai-se no recomeçar muitas vezes.
Façamos de Setembro o recomeço da escrita.
 
 


Sofia, 7 meses e 1 semana. 8,200grs. Já foi à praia, já come sopa, não gosta de fruta, grita muito para se fazer ouvir, já foi a Espanha e portou-se bem nas quase 7 horas de viagem. Está linda, o raio da miúda.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

férias, as primeiras este ano, as primeiras a 3

Agosto para mim é mês de férias. Sempre foi. Tento tirar sempre 3 semanas seguidas e tenho conseguido. Agosto para mim é mês de praia, bolas de berlim, corpo queimado pelo sol e pés descalços. Agosto para mim é mês de gelados, mês de fazer uma retrospectiva do que passou enquanto sinto a maresia na cara e as ondas frias nos pés. Agosto para mim é o fim de um ciclo, porque acredito sempre que Setembro é o início de outro.
 
Ainda não fazemos a mínima ideia do que vamos fazer. Não sabemos para onde ou quanto tempo. Sabemos que precisamos de uns dias de descanso (claro que com uma bebé de 5 meses e meio o descanso é relativo) mas também aí reside a experiência da viagem. Aprender a andar com ela, a perceber o seu comportamento. Sabemos que exige uma boa dose de calma. Mas também sabemos que as férias, estas férias, serão sempre as primeiras férias. Independentemente do sítio, o importante é estarmos os 3, embalados pela magia que a Sofia nos trouxe e pelas conquistas que todos os dias nos mostra. Sugestões, aceitam-se. De preferência em Portugal ou, vá, Espanha.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Coisas que vamos aprendendo

Uma coisa eu já aprendi/percebi: a roupa deixa de servir a uma velocidade incrível. Todos os dias guardo mais um vestido, mais um babygrow, mais umas meias. Ou são as molas que não fecham ou os botões que não apertam. Ela cresce, cresce. Fomos ao pediatra e está com 65 cm e 7600 gramas de gente. Curiosa, astuta, com gritos estridentes e um sorriso que nos derrete.
Não vale a pena comprar muita roupa. Ter o básico, sem muitas repetições, é o ideal. Mas eu sei que é muito fácil perdermo-nos entre vestidos. E nesta loja é ainda mais fácil.
 






 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

5 meses de Sofia

Hoje chove. Pela primeira vez desde há muito tempo, hoje chove. Nada que uma rapariga do norte não esteja habituada. Mas hoje chove.
A Sofia faz 5 meses.
Hoje de manhã, pela primeira vez, fui levá-la à avó, que irá cuidar dela durante os próximos meses.
Parece um daqueles dias de início das aulas. Parece Setembro. Quando saí de casa, senti o cheiro da terra quente e molhada. Senti o frenesim do regresso a alguma coisa.
Mas o verão ainda nem começou (para nós). Ainda teremos as nossas férias, os nossos passeios a 3, pela primeira vez.
Agora a Sofia. Já não é aquela bebé calminha, sossegada. Está arisca, espevitada, resmungona. Quer toda a nossa atenção. Não quer estar deitada e sentada não se aguenta nem 10 minutos. Quer colo, mimo, que falem com ela. Durante o dia chora (melhor, grita) para dormir. Luta contra o sono, talvez porque ache que há tanto para ver, descobrir, explorar, que dormir é perda de tempo. Mas durante a noite continua o anjo de sempre. Dá-nos noites maravilhosas. Sobre o banho, deixamos de vez a shantala. Ela não estava a achar piada e nós cansados de a ouvir chorar. Sempre lutei para que o momento do banho fosse relaxante, e tem sido tudo menos isso. Mas agora não. Compramos um banheira normal na Chicco, colocamos dentro da nossa banheira e agora é vê-la a chapinar os pezinhos gordinhos. Todos os dias abro as gavetas onde guardo a roupa dela e tiro mais uma peça que deixou de servir. Olho saudosamente para os casaquinhos pequeninos, para os pijamas tão minúsculos, para as meias que cobriram aqueles pés. Cheiro-lhe o cabelo, aquele cheiro tão único. Ferro-lhe levemente as mãos e ela começa a dar as primeiras gargalhadas. Continuo a amamentá-la em exclusivo, mas em Agosto (nas nossa férias, com tempo) vamos começar com a sopinha e a papinha e a comidinha por todos os lados da casa, e de nós. J
Está crescida, a nossa pequenina.
E a vossa vida, como corre?


 
 
Nota: As fotos foram tiradas pela doce e linda Catarina, da Ties. Foi um fim de dia de uma segunda-feira. Serralves recebeu-nos com algum vento, mas com um sol que se despedia de nós iluminando-nos a alma e lembrando ao coração que é tão bom estarmos todos juntos, e se esse amor puder ficar registado em fotos da Catarina, ainda melhor.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

o ponto de situação

E eu não podia estar mais de acordo com o que disseram os meninos do Alma e Coração:
 
Cada vez mais percebemos que não há pressa imediata em partilhar o que fazemos no momento
que o estamos a fazer. As memórias têm de amadurecer, temos de pensar no caminho e na história
que queremos contar, refletir sobre o que esta experiência nos fez viver e depois de tudo isso,
sim partilhar. Hoje existe no mundo “desenvolvido” uma ansiedade enorme em darmos a conhecer
tudo o que fazemos, pensamos, vemos e visitamos no momento que o estamos a fazer, é quase
como o assumir que o momento só se torna real e vivido se for partilhado pelos diversos meios,
com o tempo vamo-nos apercebendo que é precisamente o contrário, o silêncio faz com que o
vivido se torne bastante mais intenso e se possa trilhar e amadurecer a “uva” que queremos colher
e que a “colheita” saia por si bem mais intensa e saborosa do que algo feito sem parar, sem pensar.
Por isso e porque a vida assim nos ensinou deixámos de ter pressa neste campo, temos "pressa"
em ser verdadeiros e viver rodeado de pessoas verdadeiras. Isso é uma certeza!
 
Não, não é uma desculpa pela minha ausência. É sim uma forma bastante sensata de ver as coisas. De pararmos para pensar, amadurecer, relaxar deste mundo com pensamentos a mil à hora.
Entretanto...a Sofia caminha para os seus lindos 5 meses. Prometo falar-vos sobre isso num próximo post.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

da vida e suas histórias

Ontem, no talho, enquanto o empregado me servia 200 g de fiambre de perú, fininho, e 200 de queijo, dizia-me que o mundo está carente de abraços e beijinhos. Como se não chegasse, ainda rematou com um "vivemos num mundo cada vez mais egoísta e solitário menina, é o que lhe digo". Abanei afirmativamente com a cabeça ao mesmo tempo que abanava o carrinho onde a Sofia dormia. Paguei e saí para o bafo quente de um final de tarde nada primaveril. Dei mais umas voltas pelo nosso bairro e fui a pensar naquilo enquanto empurrava a pequena de pernas brancas ao léu.
Carecemos de positivismo, de confiança, de bem estar connosco e com os outros. Carecemos de iniciativa, de saber perdoar, de dar sempre a volta ou as voltas necessárias para chegarmos ao destino que sonhamos. Carecemos de amor próprio, de amor pelo próximo, de amor pela simplicidade da vida. Procuramos incessantemente a felicidade quando, muitas das vezes, ela está tão perto, tão quente, tão quase a queimar-nos o peito. Porque a felicidade é olhar pela janela da cozinha e ver a lua a nascer; é esticar as pernas na cama e espreguiçar o corpo; é tomar um banho e passar água fria nas pernas; é andar descalça pela casa; é tomar um café com o sol nos pés descalços.
Ser feliz dá trabalho e nem todos nascem com disposição para tal. É mais fácil queixarmo-nos, atribuir culpa a tudo e todos. É dificil, mas vale a pena, vale muito a pena.
Por isso, em jeito de homenagem ao empregado do talho, deixemos o egoísmo de lado e abrecemos este novo dia que acordou quente. Usemos a boa disposição como um mantra para a nossa vida. Rir, rir muito, principalmente de nós. E abraçar quem amamos, abraçar e beijar.


semana 22/52

Já tens 3 meses. Continuas um doce. Uma menina calma, alegre, com um sorriso rasgado pelos olhos azuis cinzentos. Cabelo vasto, macio, com um cheirinho que só nós sabemos. Tens a pele branca. Pesas quase 6 quilos e eu penso nos dias que irei estar sem ti durante o dia, quando regressar ao trabalho. Não quero pensar nisso agora.





semana 21/52

Cresces e nós crescemos contigo. Todos os dias nos dás um sorriso quando acordas e o nosso coração derrete. És a melhor coisa que nos aconteceu.