a·ce·le·rar
(latim accelero, -are)
verbo transitivo
1. Tomar gradualmente mais rapidez.
2. Aumentar a velocidade ou a rapidez. = APRESSAR, APRESSURAR
3. Diminuir o tempo de espera ou de duração. = ABREVIAR, APRESSAR
4. Tornar mais intenso ou mais estimulado. = ACTIVAR, ESTIMULAR, INTENSIFICAR
Vivemos numa aceleração, e isso não é novidade para ninguém
e poucos são os que não vivem. Vivemos porque queremos, porque não existe outra
forma, porque os tempos modernos são assim? Talvez. Obviamente que não queremos
este estilo de vida. Eu sei que existe muita gente que gosta, que fervilha por
dentro quando as agendas transbordam, que só se dão bem com a vida completa.
Também eu gosto de preencher a minha agenda. Mas existem formas de conseguirmos
abrandar a correria louca e termos uma vida completa. E o que entender por uma
vida completa? Difícil, não? Aqui também cada um tem a sua perspectiva.
Portanto, vou dar a minha visão, a forma como eu gostava/imagino/sonho que
seria uma vida perfeita. Não quer dizer que eu não tenha uma vida perfeita,
porque até acho que tenho, nem quer dizer que muitas destas coisas eu não faça,
porque faço, mas vou sonhar um bocadinho e fazer uma espécie de agenda,
imaginária, se calhar difícil, mas perfeitamente possível na minha cabeça e nas
pontas dos meus dedos enquanto escrevo.
7h00, acordar. Abrir a persiana e deixar entrar os primeiros
raios de sol. Espreguiçar, agradecer pela vida, parar 1 minuto para meditar. Ir
para a cozinha preparar o pequeno-almoço. Mesa posta de véspera, bonita, com
toalha de linho e louça branca, flores numa jarra. Os 3, naquele silêncio que é
necessário pela manhã. Sem televisão, com a primeira luz a acompanhar as
primeiras palavras do dia. Tomar banho, rápido, um duche. Espalhar creme pelo
corpo, não esquecer o rosto que precisa urgentemente de um anti-rugas, um bom
anti-rugas. Vestir uma roupa bonita, pensada, e não a primeira que nos aparece
à frente. Passar levemente um pó pela cara, um pouco de perfume. Noutros dias,
colocar aquele baton vermelho.
8h00, sair. Deixar a pequenina na avó. Saber que ela fica
sempre bem. Conduzir calmamente até ao trabalho.
8h30, café. Tomar o primeiro café da manhã. Começar a ler
emails, responder, reencaminhar. O tempo passa, o trabalho fica feito.
16h00, voltar a sair, desta vez para casa. Ir buscar a
pequenina, dar-lhe o lanche. Lancho eu também. Ir passear pelo bairro com ela.
Comprar pão quente. Voltar a casa. Começar a preparar o jantar. Pensar em
coisas boas, apetitosas. Cozinhar. Gostar de cozinhar.
18h00, o marido chega. Beijinhos e interrogações sobre como
correu o dia.
19h00, dar banho à pequenina. Vestir-lhe o pijama, dar-lhe o
leitinho e com um beijinho a deitamos.
19h30, agora nós. Banho relaxante, muito rápido, deve servir
apenas para retirar “o dia” de nós e permitir que entre “a noite” em nós. Os
dois na cozinha, um copo de vinho na bancada, forno ligado e o jantar quase
pronto.
20h00, jantar. Silêncio, sem televisão. Falamos sobre o dia,
sobre o próximo dia, sobre preocupações e suas soluções. Apertamos a mão um do
outro e renasce a esperança que precisamos.
21h30, sofá. Agora sim, a televisão. As nossas séries
preferidas, outras vezes programas que puxamos para trás.
22h30. Deitar. Ela dorme. O anjinho dorme bem à noite. Só
acorda às 7h00, hora em que tudo o que escrevi recomeça.
E assim a vida é completa.
(vamos, por uns instantes, esquecer que no meio desta agenda
existe o lavar roupa, estender roupa, passar a ferro, lavar louça, não ter
grande experiência na cozinha, não saber o que fazer quando ela chora, apanhar
os brinquedos do chão que ela insiste em atirar, mudar fraldas, limpar vómitos,
não conseguir secar o cabelo porque ela tem medo do barulho, não conseguir
passar a sopa porque ela tem medo do barulho, transito, roupa manchada pelas
bolçadelas, cara sem creme há 2 dias. Vamos esquecer por uns instantes.)