segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

iniciar

 
 
2016. 1 de Janeiro. Chuva, muita chuva e vento. Frio nem por isso. Não saímos de casa, nem o pijama tiramos. Os 3, naquela casa que é tão nossa, e que, este ano, vai deixar de ser. Confortável, acolhedora.
Falemos de 2015, antes de passarmos para 2016.
- Fevereiro. Nasceu a Sofia, bem no inicio do ano. Mudança completa de vida, sem horários rígidos, sem grandes planos fixos. Aprendi a ter ainda mais paciência. 4 meses inteirinhos com ela, as duas, naquele amor que só quando se é mãe se conhece. Dias que não eram muito diferentes: mamar, dormir, mudar a fralda…Mas também devorar com o olhar apaixonado aquela menina que é nossa filha. Filha, eu ser mãe. O maior desafio de 2015.
- Julho. Regresso ao trabalho e ela fica ao cuidado do pai. Fabuloso o pai. Cuidou, aprendeu, sofreu obviamente que ela quando chora chora a sério. Foi uma excelente oportunidade de se conhecerem ainda mais. Os 2.
- Agosto. Viajamos juntos pela primeira vez. Passeamos pelas Astúrias, andamos horas e horas de carro, e ela sempre impecável. Portou-se tão bem, o raio da miúda.
- Outubro. O baptizado. Uma grande festa, num dia quente que trouxe chuva através do vento. Uma cerimónia linda e os nossos amigos todos juntos.
- Dezembro. O 1º Natal. Adora a árvore de Natal, não só a nossa como todas as outras que facilmente encontra e aponta e grita ao jeito dela e na única linguagem que sabe: “cá cá cá”. É Natal. O que ela quer dizer é Natal.
 
2016, o que nos reservas? A Sofia faz 1 ano. Vamos para a casa nova. E deixo a agenda em aberto para tudo o resto. Para todas as surpresas, boas espero eu. Inspiro lentamente e, enquanto expiro peço a Deus que nos continue a acompanhar no nosso caminho. Com fé, com muita fé.
 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

pertencer

 
 
Na verdade, não sei se pertenço ao campo ou à cidade. Se por um lado, desde muito cedo, tinha vontade de sair da aldeia e conhecer a cidade e o mundo, por outro há qualquer coisa que me liga às raízes, que não me faz esquecer o sítio de onde vim, onde fui criada, onde estão as pessoas que me criaram, onde está praticamente toda a minha família.
A divisão instala-se em mim como uma dúvida existencial. Não sei onde pertenço, onde me sinto melhor. Julgo que sou uma menina do mundo. Adapto-me tão facilmente aos sítios onde estou, onde vou, onde vivo, que me atrevo a dizer que estou bem em qualquer lugar, desde que esteja feliz.
Atrai-me a calma, quietude, simplicidade, ingenuidade dos vales e montes que me fizeram mulher. Daquele orvalho nas folhas do carvalho, da geada que nos faz escorregar na estrada, do frio que sai em forma de fumo do rio. Atrai-me a paciência, o fazer sem pressa, o dar sem pedir em troca. As ovelhas que pastam e os galos que cantam. As nuvens a tocar no alto da Santa Iria. O barulho das moto-serras, dos tractores, da carrinha que vende arcas de madeira, da buzina do padeiro, da Rosa a chamar alto e bom som o nome da filha, com aquelas goelas que abafam todas as música na capela, enquanto a pequena brinca na rua com os vizinhos: “Oh Saaaaaaara, anda para casa que se faz noite”.
Mas a cidade também me aquece o coração. A pressa, a correria, a facilidade com que se chega a tudo, o acesso a tantas e diversificadas coisas. O sair de casa e ter tudo à porta, não ter de pegar no carro, não ter de fazer compras mensais. O apetecer ir ao cinema, ao teatro, a uma exposição, a uma biblioteca, ao ginásio, e ir, sem andar muito, sem ter de sair de casa 1 hora antes. A magia da cidade, para mim, é mais do que uns simples prédios, amontoados uns nos outros. Consigo sempre parar, ao longe, e observar as passadeiras e o rebuliço vivido naquelas linhas brancas e pretas ao fim do dia. Ou de manhã. Imagino a vida de cada uma dessas pessoas. Onde vão, com quem vão.
Na verdade, não sei se pertenço ao campo ou à cidade. Mas isso não importa. Quero sobretudo viver com o coração onde quer que esteja, de peito aberto, de alma pura. Quero ser feliz em qualquer lado. E o meu maior desafio é conseguir sempre isso. Eu e os que me acompanham, nesta jornada que é a vida.
 
 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

renascer

 
 
2010 – Estocolmo e Copenhaga
 
Há um dia em que decides que mereces ser feliz. Há um dia em que queres viajar sozinha, encontrar-te, renascer, alinhavar sentimentos, fechar ciclos. Há um dia em que metes a mochila às costas, pegas em mapas, compras uma máquina fotográfica, rabiscas uns sítios para ir, enfias-te num avião e acordas noutro país. Há um dia em que todos os dias acordas cedo, exploras ruas que nunca trilhaste, tentas aprender uma língua nova, conheces pessoas que nunca viste. Há um dia em que todos os dias te deitas cedo, desligas o telemóvel, escreves, deitas a cabeça na almofada e descansas. Há um dia que olhas para o sol e agradeces, em que sentes a chuva na cara e suspiras, em que alugas uma bicicleta e vais, sem destino, sem horas, sem fim, pedalando e imaginando que também tu fazes parte daquela cidade, daquele modo de vida, daquela organização que faz tão bem e apetece ficar. Há um dia em que tens a certeza que a vida é maravilhosa, que há tanto para fazer e tanto para conhecer, que há alguém, algures, à tua espera. Que não conheces, nem sabes quem é. Mas tens a certeza, a certeza absoluta que, quando estás bem contigo própria, estarás bem com o resto do mundo. Encontrar-te e renascer. Assim.
 
2015 – Porto
 
Acordo, cedinho, e agradeço por tudo. Pela vida, pelas pessoas que apareceram na minha vida, pelos 5 anos bons, mas tão bons, que juntos estamos a viver. Acordo, cedinho, e olho para ti, para ela, para nós. Consigo imaginar-nos daqui a mais 5, e mais 5 e sempre a somar mais e muitos anos. Sei que quando fazemos bem, a vida agradece-nos. E sei que quando não contamos o melhor surge, sem avisar, sem bater à porta. Apareceste, naquele preciso momento em que estamos bem, em que sabemos o que queremos e onde queremos estar. Encontrar-te e renascer. Assim.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

celebrar

Naquele dia eu senti que a minha vida ía mudar para sempre. Quando olhei para ti, quando senti o frio a correr espinha acima, quando me aqueceste a alma com o beijo que se deu tarde, quando juntos dançamos na pista mesmo não sabendo dançar, quando tivemos a certeza que a partir daquela noite fariamos parte da vida um do outro.
5 anos. Tão pouco mas tão muito.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

ouvir


 
 
 
Quando estava grávida, enquanto trabalhava (e trabalhei até 2 semanas antes dela nascer) ouvia muita música. Diziam que fazia bem ao bebé e fazia-me bem também.
Ouvi música clássica, música mais comercial, mas, a música que eu gostava realmente de ouvir, era a “indie music”. Ainda hoje, por exemplo agora, enquanto ouço, arrepio-me e fico tão mas tão feliz. Porque me faz lembrar a gravidez, aqueles 9 meses tão mágicos e maravilhosos que vivi.
Julgo que já aqui referi, mas nunca é demais relembrar: adorei estar grávida. Foi tão mas tão bom que me apetece engravidar de novo. Não posso. Dizem (os livros e a minha ginecologista) que, depois de uma cesariana, devemos esperar pelo menos 2 anos. Esperarei então. Depois logo se vê.
Voltando à música, podem clicar aqui e ouvir a música que vos recomendo para este depois do almoço. Que vos faça sorrir como a mim faz. Que vos inspire e vos faça ter um dia para lá de feliz.
 
 
créditos da imagem: via pinterest


 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

contar

É hoje! 36 anos da minha vida. Acordei e ele e ela cantaram-me os parabéns. Ela bate palminhas e balança todo o seu corpo demonstrando toda a alegria e felicidade. E eu fico feliz por ela ser feliz e por fazê-lo a ele feliz. Basicamente, está a ser um dia normal, o que é bom. Recebi beijinhos, um casaco lindo de couro, mais beijinhos, um bolo de chocolate feito pelo meu irmão, palavras doces, mensagens e emails carregados de palavras boas que nos aquecem o coração neste dia frio de Novembro.
 
 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

aproveitar

Esta que vos escreve faz amanhã 36 anos. Por isso, durante o dia de hoje, tenciono gozar ao máximo os meus 35 anos. Considero que passar dos 35 para os 36 é envelhecer mais do que 1 ano. É mais do que isso. É como passar dos 29 para os 30 ou dos 39 para os 40. Há toda uma diferença este 35 e 36. Não é que ligue à idade, porque não ligo. E se me perguntam, repondo de imediato, sem rodeios nem receios, nem com a típica e parva pergunta: “que idade me dás”? Mas sinto que a partir de amanhã tudo vai ser diferente. Ou não!
Nasci num domingo, às 12h30, aquela hora em que a fome começa a apertar e já se comia qualquer coisinha, um assado por exemplo que afinal era domingo. Parto normal, gravidez saudável. Ou quase, e passo a contar. A minha mãe teve rubéola. Um susto, um grande susto, principalmente porque não havia ecografias (se calhar havia, mas não estava acessível a todos) nem exames específicos para perceber a gravidade do assunto. Ela deixou tudo ao cuidado de uma divindade em que ela acreditava, Deus. Houveram rezas, súplicas, terços a rodar pelos dedos ao som da ladainha das avé marias. Houve, sobretudo, esperança. E eu nasci, saudável, gordinha, cabeleira farta, pele escura de índia (agora sou mais clara, mas no verão ficou bem preta na praia, e não preciso de muito sol).
Hoje penso nisso, nessa esperança que ela teve e na coragem de avançar com tudo, enfrentando as palavras menos boas dos médicos, os alertas para o que poderia acontecer. Hoje penso nisso e agradeço-lhe por ter confiado na sua intuição, no seu amor por mim, no seu Deus.
35, quase 36, e estou aqui mulher feita. Também eu sempre cheia de esperança. Positiva, acima de tudo (tirando os dias em que não sou!). E isso agradeço a ela, minha mãe, e ao meu pai. Sempre sobrevoou naquela casa uma alegria imensa e a certeza que o amanhã iria ser ainda melhor que o hoje.
 
Sinto que a partir de amanhã tudo vai ser diferente. Ou então não!

 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

despertar

O dia começa cedo, bem cedo. Às vezes às 6h, outras vezes às 6h30. Hoje às 5h já chorava, não sei se com fome, com frio, com calor, sem sono, com sono. O início da manhã é tudo menos calmo. Acordamos com ela (um doce de despertador, com o choro desesperado de fome). Dou-lhe de mamar (eu acho que já não sai nada, mas ela fica satisfeita. Além do mais ela detesta, odeia mesmo, o leite em pó que lhe comprei. Verdade seja dita, que eu provei só para perceber, aquilo não sabe nada bem). Depois visto-a e vamos tomar o pequeno-almoço. Até aqui tudo bem, ela brinca, dança, começa a bater as primeiras palmas quando lhe cantamos a música dos parabéns, dá enormes sorrisos com aparece o Panda na televisão. Mas depois, depois quando quero tomar banho, aí a coisa complica-se. O pai tem de sair para trabalhar, ou o trânsito condiciona-lhe a vida. Não posso desaparecer da vista dela 2 segundos, às vezes 1,  ou os gritos ouvem-se do primeiro ao último andar, e quem sabe no prédio em frente. Já tentei: colocá-la no parque que compramos e onde tem os bonecos preferidos dela, mas grita. Levar a cadeirinha da papa e colocar à porta da casa de banho, mas grita. Vestir-me com ela na sua cama, mas já se levanta, agarra-se às grades e começa a pular, a pular, a pular, até quase bater com a boca na madeira. Enfiá-la no carrinho bengala e andar com ela pela casa, a fazer as minhas coisas enquanto ela observa atentamente tudo. Esta é a que funciona melhor.
 
Já pensei em soluções, como acordar mais cedo que ela e arranjar-me antes dela acordar. Mas acordar a que horas? 5 da manhã? Por vezes o que faço é tomar banho à noite. De manhã é só vestir-me e sair. Se passaram por isto, se tiverem truques e dicas, serão muito apreciados por esta mãe que, apesar de amar muito a sua filha, só queria ter tempo para colocar, de vez em quando, um pouco de pó nas maçãs do rosto.
 
Bem vindos, caros leitores, à realidade de uma mãe normal, sem tempo para nada, principalmente para ela.
 
 
 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

cuidar



Inscrevi-me no Pilates e já fui a 5 aulas. Não tenho nem nunca tive elasticidade. Olho à minha volta e tudo chega com o dedo grande do pé a todo lado, menos eu. Estou empenada, rígida, a precisar mesmo muito de esticar. Para além do corpo flácido e de estar mais magra que o normal, sinto a pele a envelhecer. As razões são muitas: não dormir mais de 5 ou 6 horas por noite; deitar tarde; esquecer o creme de manhã; preguiça para o creme à noite. Enfim. Precisava de umas massagens, no rosto e corpo. Precisava de uma boa e valente limpeza e hidratação de rosto.
Lembrei-me da Wells. É pertinho pertinho de casa, temos sempre descontos e promoções associadas ao cartão continente, atendimento personalizado e, depois da minha pesquisa no site, os tratamentos que ando à procura.
Porque todas merecemos um miminho de vez em quando. Porque a nossa pele é tão importante. Porque o envelhecimento chega cada vez mais cedo.
Vou e depois conto.
Este não é um post patrocinado, para grande pena minha :)

 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

decorar


 
 
O quarto dela será branco imaculado, com alguns apontamentos de cor, almofadas, uns quadros. Brinquedos simples, de madeira, outros antigos e recuperados.
Gosto de simplicidade.