quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O desespero das viroses: o início?

Foram 5 dias, apenas 5 dias. Mas pareceu-me 1 mês. Na quinta à noite a Sofia estava a arder em febre. Liguei ao pediatra que me disse para aguardar 24 a 48 horas e ir controlando. O Ben-u-ron parecia não fazer grande efeito. Os paninhos de água fria na cabeça iam aliviando, a temperatura dela e o nosso desespero. Começou a comer menos, muito menos, e era difícil beber alguma coisa. Sábado acordou bem disposta, brincou, comeu. À tarde voltou a febre e na madrugada de domingo retomaram as temperaturas altas. Domingo fomos ao hospital e tivemos o diagnóstico: nada de otites, amigdalites, infecções urinárias. Era uma afta na garganta. Viroses. As chamadas viroses que sempre desconhecemos, pois a miúda nunca nos tinha ficado doente.
A febre desapareceu. Ficou a tosse, muita tosse, falta de apetite e a má disposição para tudo. Só queria “nanar”, como ela diz, e dormiu horas, enquanto nós, um pouco desorientados, só queríamos que ela estivesse a fazer as asneiras do costume. A somar a isto, temos uma criança que recusa tudo o que é necessário fazer para ficar boa: medicamentos; soro; água do mar; supositórios; aspiração; termómetro; banho…ufff.
Hoje, à semelhança do dia que acordou bonito e com sol, também ela acordou melhor e nos fez sentir melhor. Bebeu o leite e tudo. Decidi deixá-la no infantário. A ver se a convivência a faz arrebitar um bocadinho.
No meio destes longos 5 dias, tive momentos maus. A inexperiência faz-me sentir perdida. Eu sei, claro que sei que as crianças ficam doentes e que, provavelmente, todos vocês já tiveram situações idênticas, ou piores. Mas senti-me tão inútil. Ainda para mais com uma barriga gigante e um bebé tão pequenino dentro dela a pedir-me descanso.
Está tudo mais calmo, muito mais calmo. Voltar à rotina dos dias ajuda. Agora é esperar que o apetite dela volte e os lápis de cor voltem a voar pela casa.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A home to live. A home to smile.

Eu não quero uma casa perfeita, sem riscos ou risos das crianças, sem brinquedos pelo chão, sem pequenas migalhas. Eu não quero uma casa de revista, sempre impecável, sempre limpa, sempre organizada. Não quero porque: isso nunca será possível com crianças em casa; isso não é o meu lema de vida; isso só existe no instragram, facebook e revistas.
Eu quero uma casa onde se viva. Onde se ouçam gritos e cantorias dos mais pequenos. Onde na cozinha tenha um quadro de lousa para os mais estranhos desenhos e recados. Onde nos chateemos e façamos as pazes. Onde os miúdos possam correr, brincar, chorar, gritar, dormir, repousar. Onde plantemos todos juntos plantas nos vasos e as reguemos, como se ao amor estivéssemos a dar de beber. Onde exista cheiro a grelhados da churrasqueira. Onde se coloque a abóbora no muro no dia 31 de Outubro e as velas para a procissão no dia da festa. Onde possamos todos ser felizes, muito felizes. Sem complicações. Sem exigir muito dos outros nem da casa.
 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

ela não gosta de tomar banho

Minha filha tem 20 meses e nunca gostou de tomar banho. Quando leio frases como “o banho deve ser um momento divertido e relaxante” fico a pensar que lá em casa é tudo menos isso. Até entra na banheira. Mas mal se apercebe que lhe vamos dar banho, grita, esperneia, chora, faz trinta por uma linha para sair dali. Por enquanto não se magoou, mas se continuar assim pode mesmo magoar-se a sério ao tentar fugir do banho. Tenho a sorte de ter sempre o meu marido por perto que a segura (agarra) e lhe dá banho, pois eu com esta barriga já não consigo.
Já tentei muita coisa: esquecer o chuveiro; dar-lhe noutra casa de banho; comprar uma base de chuveiro linda cheia de bonecas e flores; levar os patos. Pratico uma espécie de mindfullness naquele momento, tentando abstrair-me da gritaria, passando-lhe as mãos calmamente pelo corpo. Mas nada, nada resulta.
O que leio na internet é quase sempre relativo a crianças maiores. Não encontro nada sobre esta idade.
Por isso, se houver por aí histórias semelhantes, dicas, soluções, serão muito apreciadas por esta mãe em desespero.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

a minha gravidez #20 semanas

Esta semana trouxe-nos a certeza que está tudo bem, comigo e com o bebé, e que é um menino.
Nesta segunda gravidez, a barriga fez-se notar muito mais cedo e igualmente cedo deixei de usar a minha roupa habitual. Salvaram-me os vestidos que tinha e umas blusas largas. Comprei umas calças de grávida pela primeira vez, mas hoje já noto que me apertam. E se por norma não gosto de roupa apertada, então estando grávida detesto. Vestidos, eu gosto muito de vestidos e por isso andei à procura de alguns. Porque isto ainda vai a meio...
Encontrei estes que gosto, todos da Zara.
 






 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

ainda vais acabar o dia a chorar...

Já ouviram isto muitas vezes, pois já? Eu já. Naqueles dias em que só dizemos palhaçadas, gozamos com tudo e com toda a gente, estamos no auge da nossa felicidade. Nesses dias, em que o mundo é feito de fantasia pura, temos alguém que nos alerta para a fatalidade do fim de dia.
Só as pessoas pessimistas pensam assim. As que não acreditam em dias bons, mesmo bons, que podem durar desde o nascer até ao pôr-do-sol.
Quando ouvia isto, moderava o meu comportamento. Ficava com medo desse choro que poderia vir. De acontecer realmente alguma coisa que me fizesse ficar triste.
Agora não. Agora penso que temos tão poucos momentos de felicidade extrema que o melhor mesmo é aproveitar. Se tivermos de chorar à noite, choremos. Mas pelo menos que o dia tenha sido bom!
 
 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

ultimamente…

Hoje começa o Outono e eu gosto. Gosto de todas as estações, pois cada uma me traz sempre algo especial.
A Sofia está bem no infantário. Chora sempre de manhã, coitadinha. Mas à tarde, quando a avó a vai buscar, não chora. Está tão despachada e feliz. E isso é o mais importante, ser feliz.
A casa está na recta final, mas meio parada. Ou seja, está no quase, parece que falta pouco, mas a sensação é de que nunca mais.
Vou entrar na semana 20 da gravidez e sinto-me bem. Quando passo num espelho e vejo a barriga que tenho (enorme, por sinal) fico tão mas tão feliz. Como é que há pouco tinha esta barriga e agora está aqui outra vez?
Ainda não comprei nada para o bebé, talvez porque precise ter mesmo a certeza que está tudo bem, e que é rapaz.
O meu irmão fez 33 anos. O que significa que daqui a 2 meses faço 37.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

saudades

Tenho saudades de ti, minha filha. Dos dias imensos que passávamos em casa, a olhar uma para a outra. Quando te dava a mama, quando dormias, quando acordavas. Tenho saudades de ti, minha filha. Daqueles dias lentos, vagarosos, sem tempo nenhum para mim mas com todo o tempo do mundo para ti. Ainda és tão mas tão pequenina e às vezes já me pareces uma mulherzinha em miniatura. Quando te deixo de manhã no infantário, penso no quanto gostava de ficar lá contigo a brincar. Não choro, nunca chorei. Nem mesmo no primeiro dia. Sei que ficas bem e és tratada melhor ainda. Mas há uma parte de mim que fica vazia por não te ver crescer. Durante as 8 horas que estou sentada ao computador, ris, choras, comes, dormes, pintas, dás beijinhos, conheces pessoas.
E eu não vejo.
Enquanto escrevo, caem-me as lágrimas. As hormonas da gravidez fazem das suas.


 

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

future challenges


“…but at the same time I'm very excited with all the future challenges! So... Let's do this…”

Leio vezes sem conta este tipo de frases. Novos projectos. Novos desafios. Novidades. Vidas de projectos. Não são de todo vidas fáceis. Não têm horários, não têm salários fixos. Têm de trabalhar muito para ganhar alguma coisa. Não se contentaram com o emprego das 9h às 18h. Com a correria da manhã e o chegar tarde a casa à noite. Vêm os filhos crescer. Estão presentes em mais momentos. Fazem o que gostam. Lutam pelo que gostam. Dedicam-se de corpo e alma a um projecto. Vivem sempre na ansiedade do amanhã: novas encomendas, novas parcerias, novos contactos, novas ideias. Têm de estar sempre a inovar, atentas à concorrência, às redes sociais, à caixa de correio. São corajosas. Estas pessoas para mim são corajosas, principalmente as que desistiram de um emprego para se dedicaram à sua própria empresa. No inicio são só elas. O computador, o telemóvel, talvez até o cão ao seu lado ou o bebé na alcofa. Em casa, na sala, na mesa de jantar, rabiscam uns sonhos, anotam ideias, alinhavam prioridades. Não é fácil. Não deve ser fácil, digo eu. Mas nada no inicio é fácil. Uma adaptação, ao que quer que seja, nunca é fácil. Por isso não desistem e o mundo e pessoas como eu agradecem-lhe. Pela iniciativa. Pelas coisas bonitas que fazem. Por mostrarem que nunca é tarde, nunca é impossível, nunca não existe. Existe o agora, o presente, o “vou fazer o que gosto hoje e amanhã logo se vê”.
Pessoas assim, adoro-vos. Era só isto.



 

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ideias para a casa nova #1

Gosto de folhear o catálogo do Ikea e imaginar que vivo como e com aquelas pessoas que lá aparecem. Famílias grandes e felizes. Casais apaixonados no meio dos lençóis. Refeições deliciosas em cozinha lindas de tão simples. Sofás onde apetece estar e dormir, sem nunca doer as costas. Identifico-me muito com o estilo nórdico. Quando fiz a minha viagem solitária pela Suécia e Dinamarca, apeteceu-me ficar muito mais que as 2 semanas que lá estive. Apeteceu-me ficar a sério. Mas esquecendo essa parte do sonho, até porque este sol nos faz bem e as sardinhas pequeninas com arroz de tomate também, seleccionei algumas imagens para a decoração da nova casa. Já que não podemos viver na Suécia, trazemos um pouco da Suécia para o nosso dia-a-dia.







segunda-feira, 29 de agosto de 2016

deixar entrar o sol

Nunca iremos agradar a toda a gente. Nunca. Há pessoas que gostam mesmo muito de nós e outras que nem por isso. É vida. É mesmo assim. Há pessoas que irão ficar sempre, mas sempre felizes com a nossa felicidade e infelizes com a nossa tristeza. Outras há que não gostam de nos ver sorrir e sorriem quando entristecemos. Na verdade, já me preocupei bem mais com este tipo de pessoas que de quando em vez se atravessam no nosso caminho. Lido bem com isso, ou, pelo menos, lido melhor.
Devemos gastar o nosso tempo com quem nos quer bem e dedicar a nossa atenção a quem se preocupa connosco. Devemos ignorar os restantes.
Não escrevo isto por estar a passar por alguma coisa em especial. Apenas me lembrei deste tema e decidi partilhar. Agora que estou grávida (e antes também, confesso), facilmente percebemos o sorriso de quem fica feliz e o outro sorriso. Mas uma vez que este é o chamado “estado de graça”, vou deixar que apenas as coisas boas entrem. Que entre a paz. Que este meu segundo bebé sinta que a mãe é feliz. Muito feliz. E sou mesmo.