sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

CARTA NÚMERO UM – A MINHA MÃE

A minha mãe não tem toalhas nem guardanapos de linho, mas a mesa está sempre farta de tudo e ninguém se importa com a cor dos pratos ou a marca dos talheres.
A minha mãe tem a 4º classe, mas sempre me ensinou que estudar me fazia bem. E fazia-me muitos ditados e mandava-me fazer cópias.
A minha mãe nunca me ofereceu um livro, mas mesmo com dificuldades sempre me comprou todos os livros da escola, novinhos em folha como eu gostava.
A minha mãe não conhece as regras de etiqueta, mas sabe receber sempre bem todos os tios, e tias, e primos e quem quer que apareça lá em casa.
A minha mãe tem 8 irmãos, e nunca se chateou com nenhum, nem com vizinhos, nem com ninguém.
A minha mãe nunca se queixa quando está doente, ou quando se queima no fogão, ou quando não lhe ligo, ou quando não a visito.
A minha mãe aprendeu a trabalhar no campo, a cuidar das galinhas, a fazer chouriços e fogueiras, para conseguir sustentar a casa que partilhava com aqueles 3 homens (marido, cunhado e sogro).
A minha mãe acordava a meio da noite para ver se tínhamos febre, para nos dar o antibiótico, mas aquecer o leite com mel.
A minha mãe nunca leu revistas de moda e nunca foi vaidosa, mas sempre nos vestiu bem, quentinhos e agasalhados.
A minha mãe nunca tirou um curso de cozinha, mas faz comida daquela deliciosa que apetece repetir uma e outra vez.
A minha mãe não teve uma educação artística, mas nunca me impediu e sempre me apoiou quando quis entrar na música, e no teatro.
A minha mãe merecia uma filha melhor, muito melhor do que eu, mas sabes mãe, eu estou ainda a aprender a ser mulher. Um dia serei assim como tu, assim calma, resistente, sensata, corajosa.

3 comentários:

Raquel Caldevilla disse...

Trouxeste-me lágrimas aos olhos. Parabéns pela tua mãe!

Marta Valente disse...

Muito bonito!
Aposto que a tua Mãe acha que és muito boa filha!

Um beijinho,
Marta

raquel disse...

Que texto tão bonito.
Que bela carta de amor à sua mãe.
Um beijinho*